terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Eulália II (o homem e o desejo)

Na profundeza da compunção, ela se absterge em orações antes de entregar-se ao sono. Não ouço suas lamentações, se é que ela as tem, nem muito menos vejo a luz das velas brancas acesas. A luz escondida entre as nuvens, aguarda o grito astucioso dos insetos e espíritos ao redor da casa. As folhas verdes dos vasos vermelhos mexem-se a todo o instante.

Um cachorro late longe. Enquanto Fausto repousa na cama, levanto-me e sigo até à janela, com cortinas de cor amarelada como a da lã de Eulália. Abro-as, e vejo que no horizonte do terreno, na beirada, um cachorro fita atento a nossa casa. Ele é preto, grande, e a luz do candeio reflete nos olhos do cachorro, quiçá lobo. Remiro-me naquela direção. Os meus olhos vêem um homem lisonjeando o preto. Esse veste-se com uma calça branca e camisa também branca. Eis um mistério...

As donas de casa, as lavadeiras de Santa Velha, mulheres que ainda são moças, da mesma forma que Eulália, falam dessa cena. Dizem que o homem é a imagem do inimigo. Algumas chamam-o de “mafarrico”. Outras, aquelas que disseram ter sido abusadas sexualmente, dão o nome de “pé-de-peia”. Muitas histórias surgem no decorrer do ano sobre o beiçudo. Agora sei da existência dele. Maria de Zé Ôião veio uma vez aqui em casa e revelou-me coisas de quimera. Eu segurava o terço e ela dizia: “Precisava ver, sinhá. Homem era feio feito o cão. Digo-te, de longe! Mas ele me chamou e fui até lá. Tinha um lobo do lado e segurava um livro. Querendo me enfeitiçar com a bíblia, cheguei perto. Mudei minha opinião na mesma hora! O homem era bonito, sinhá. Abriu os três primeiros botões da camisa e me chamou para tocá-lo. Tinha poucos pelos no peito e sua pele estava quente... Entreguei-me a ele. Riu-se com a minha cara de santa de rapariga. E o... sim... o falo dele estava enrijecido. Sinhá! Era um homem do pecado.”

Era o diabo! O diabo me olhava e eu sentia um fogo no meu corpo. Não, não! Ele não me olhava. O olhar com falsidade olhava para outra janela. A janela do quarto de Eulália. A falência dos meus pensamentos é seguida pelo sobressalto da visão ao ver a minha companheira nos bordados caminhar-se para o mafarrico. Minhas unhas agatanhavam por cima do meu camisote. Sentia-me como uma mulher desgrenhada e apetecível. Quero usar o meu corpo, as minhas carnes com aquele homem. Mas ela rouba-o de mim.

Tenho, mais uma vez, a incumbência de despi-la na frente de Fausto. Mostrar-lhe quem é Eulália. Quem é essa mulher que deturpa a nossa vida, a nossa casa. Porém, tenho-a em meus bordados e nas minhas lamentações quanto a Fausto. Abro o meu coração para ela, mesmo sabendo de suas traições.

Quero o verde... Quero estuprá-la por completo... Quero compreender os meus desejos cataclísmicos.

Olhe, olhe: sempre existe uma luz ou sombra estranha no seu quintal. Na varanda de sua casa ou na janela do seu quarto. Veja-o AGORA!
* * *

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Eulália

Eu vejo os pés escuros da porta do quarto indicando um caminho de mistério. Tão somente como o mistério de dez anos atrás. Naquela época, quando eu embelezava as minhas noites com escrituras sobre os homens da vizinhança e o mau olhado das lavadeiras para mim, Fausto cuidava deliciosamente das plantas de nossa casa. E, além daquele homem modesto e delicado, morava Eulália, minha companheira nos bordados.

Eulália usava sempre dois tipos de vestidos bordados: um branco com listrinhas azul-claro, e um de cor rosa clara. Usava-os pela manhã e tarde, encantando os clientes de Fausto, meu marido. Ela também era de uma mente escondida e de família pobre. Tecia pensamentos ligados à loucura. Penso eu: por que esses pensamentos nessa hora noturna? Por que Eulália me confronta tanto dentro de casa? Por que, por mais inexplicável que seja, ela sente que me deve algo? ...

Tínhamos muitas plantas verdes e alguns baús com vinhos para vender. Faltava cor em nossa casa! Faltava uma flor no jardim, uma cor para mim. E a inspiração para além do “entre nous”. Fausto aguava-as todos os fins de tarde. Calculadamente, vendia as mais belas, as mais exóticas e femininas. Quando chegava a quinta-feira, ele arrastava Eulália para o centro.

Cavalgavam juntos em cavalos namorados pela estrada, e lastimavam-me de longe para com as outras pessoas. Queriam plantas! Ela era o “affaire” à minha frente.

Eu percebia suas mentiras. Percebia o olhar assustador quanto as minhas perguntas assassinas. Ligeiramente, eu tocava o seio branco daquela mulher “vulgaire”, e sentia o coração escravo acelerar de medo com as mentiras. Acariciava-a, não reclamava. Insistia em devorá-la com o meu olhar de dama da noite. O meu marido, descansava o corpo no andar de cima da casa ao lado das orquídeas e samambaias. O livro que o dominava, ficava a dois metros da cama. O lençol bordado de Eulália cobria-o do frio invernal.

Eu vejo os pés escuros da porta do quarto indicando um caminho de mistério. Vejo a fechadura rodando em sentido de abertura para mostrar quem me espera. Abro e vejo Eulália. Ela dança com seu vestido branco, concorda com o medo em meu rosto. Admiro sua beleza pós morte. Sua loucura me deixa mais louca ainda. Rasgo os livros antigos de Fausto. Não como, não durmo, nem conheço quem comprou a fazenda vizinha ou quem se casou na última semana em Santa Velha. Ela caminha com os sapatinhos de bordado pela casa, e senta-se na cadeira mais próxima para eu olhar o rosto perfurado.

Como muitos casos que aconteceram na cidade em anos passados, este não poderia ser diferente. Os clientes antigos temiam-me no começo das investigações. As mulheres lavadeiras e tolas como só elas são, jogavam pragas quando eu andava a cavalo perto do rio. Os maus espíritos importunavam-me diariamente. Agora, anos após a morte, eles vagueiam juntos dentro da casa, e para onde olho, apontam-me acusações fortificadas nos ditos daquelas.

Eulália e Fausto pensam onde está esse livro. Acham que vão dormir.

... O pensamento ligado ao meu papel, vive uma vida já morta. Sem água, sem fala. Olha com desprezo e intimidação.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Alusão ao Demônio

São 11:00 de Terça-Feira. Estou calado dentro dessa sala. Quatro paredes envolvem o meu corpo. O pensamento e as batidas do coração começam a acelerar. Guio-me para outro caminho. Aponto os desejos ardentes do corpo.

Eu ouço o barulho fatídico do Ar-Condicionado. Gela os meus ossos, minha pele, minha angústia dilacerada. Carrego ao lado, um aparelho telefônico. Mas ninguém liga. Ninguém se explica. Ninguém duvida.

Por um instante eu o olhei saindo da sala de reunião. Vi um homem bem trajado, com sorriso intelectual no rosto. Ouvia as conversas alheias ao meu lado, mas mesmo prestando atenção à elas, eu admirava aquele homem bonito. Ele tinha uma pele branca como os travesseiros que estão postos sobre a cama. Ele olhou para mim.

Eu o vi olhando em minha direção. Senti um calafrio. O meu corpo tremeu de surpresa. Eu queria fugir. Não gostei da sensação de ser olhado com desejo por outro homem. Eu apenas tinha olhado-o sair da sala. Nada mais que isso. Porém, como um bebê que é surpreendido pelas atrocidades do ser humano alheio, fiquei paralisado na minha cadeira.

Estávamos em sintonia. Estávamos nos olhando como um casal, que antes do início do relacionamento, paqueram-se em todos os lugares que se encontram.

Eu não queria sentir aquilo. Aquela correria do coração.

Eu queria sentir aquilo. Aquela correria do coração.

Ele era um homem casado. Bem vivido. Tinha um dos melhores empregos do mundo. Prezava pela sua família. E mesmo assim, mesmo sabendo do comportamento acadêmico, familiar e conjugal que ele possuía, derretia-se me flertando. E eu caia nos olhares dele. Ou eu era bobo, ou era homossexual, ou apenas fiquei pasmo com aquela sensação.

Tenho um filho de 7 anos. Ele apresenta características homossexuais. Deus me livre do pecado, mas desejo que o meu filho não venha se tornar um gay. Sentir-se atraído por outro homem, ainda mais nos dias de hoje, quando todos sabem da sua vida, é um martírio! É declarar-se morto pela sociedade. E desejo, ainda mais, que o meu bom Deus livre-me dos pensamentos alheios do demônio. Esse pecado deve ter uma solução num dia próximo. São sentidos do corpo que aguçam sem um “porque” real.

E ainda sabendo de tudo isso, pergunto-me COMO, SANTO DEUS, COMO POSSO SENTIR ISSO QUANDO VEJO ESSE HOMEM!

Misericórdia!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Eles

Eu estava dentro de um ônibus mais uma vez. Eu ia pagar uma conta de internet, e comprar um presente para o meu pai. Lembrei-me do tempo em que papai fazia-me surpresas com aqueles presentes inusitados. Ou, quando passeava comigo por várias livrarias, sebos, ou levava-me à universidade para assistir suas aulas sobre cálculos químicos. Sim, claro, também lembrei de suas poesias aos meus ouvidos, e ensinamentos sobre a vida. Fez-me homem. Homem sem pilhérias. (As pessoas SÃS, sabem que pilhérias são estas) E desta forma, fui pego pelas orelhas. Ouvi atentamente a conversa daqueles...

- Diz aê, galado! [ele passa pela roleta e senta-se ao lado do “amigo”]
- Faaaaaala, véi!
- Esse hômi vai pra onde?
- Bicho, vou lá pra casa de Anninha. [sorriso de playboy]
- Tô ligado... [olhar desconfiado]... Vai dar uma calibrada, né mané?
- Qué isso, boy! [gargalhada]
- Vai naaaada! Que bicho galado!
- Ei, viado, olha essas conversa aí, pô. [rindo]
- Tirando onda, pow..
- Tss...
- E esse hômi? Tá fazendo UFRN?
- Nada, pow. Tô lá na UnP.
- Sério, bicho? E tu num tinha feito vestiba não?
- Hômi, eu fiz, tá ligado? Mais nem passei na segunda fase, boy.
- Tô ligado... E tu tá fazendo o que na UnP?
- Infermagem.
- Caraio, boy! Curso de viado, boy! [gargalhada]
- Sai daí, fresco. É paw, pow. Só doidinha gata.
- Kkkkkk! Ei, bicho, pelo menos a empregada lá de casa faz. E tu sabe, feia pá caraio! [gargalhada]
- Tô ligaaado, véi! Eu vi ela semana passada lá, pô. Reconheci na moral, mais nem falei. Esse hômi já cumeu ela, né?
- Cumi, pow. [gargalhada] Boa toda. Bundinha da porra.
- Esse hômi é o cara!
- Pode crê... Num sou que nem meu irmão que tem 15 anos e ainda nem cumeu nenhuma doidinha. Bicho, um monte de gata lá do colégio dele. Maria Fernanda, Catarina Araujo, irmã de Isabele... ta ligado? Só doidinha fuderosa e o galadinho num pega. Tô achando que aquele bói queima uma escondido na net, tá ligado? [gargalhada]
- Caraio, bicho... [gargalhada]
- Ei, galado, vô descê agora! Falow! [batem as palmas das mãos, e com a mão fechada, batem com as costas dos dedos]

Que conversa boa. Instigante! Diálogo interessante. Vocabulário novo. O “ser” homem pode-se basear nisso. Isso é que é ser homem. Mostre-se “O COMEDOR”. Mostre-se como O mulherengo na frente dos outros. E rebaixe seus irmãos. É, porque senão, é capaz de você ser “fresco”.
Desci, então, no shopping para comprar o livro sobre maçonaria para o meu pai. Aproveitei o embalo da “pilhéria” do ônibus, e comprei um pocket de piadas. Desejo rir!

* escrito em 01 de setembro de 2009
** sim, há erros propositais de português

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First text: Elas. Enjoy it! =)

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Pífio.

Haha.

Hehe.

Hoho.

Coisa insana.

Hehe.

Haha.

Hihi.

Coisa insana é falar assim.

Hehe. Haha. Hoho. Hihi.

Coisa insana é eu ter uma opinião.

Haha.

Hehe.

Hoho.

Hihi.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

correspondências; primeira resposta

Eu e minha querida leitora e blogueira Vanessa, dona do Monólogos, começamos uma aventura de troca de cartas entre dois personagens que criamos. Apenas criamos os personagens. Eu faço as cartas da Mariana, e ela as do Fabiano. A Vanessa já começou! Clica e confira, se quiser. E logo abaixo está a resposta da Mariana. Vamos ver no que vai dar. Quem sabe, em um futuro próximo, escreveremos um livro juntos? Nunca se sabe!
. . .
São Paulo, 08 de setembro de 2009

Fabiano,

Eu sinto um frio neste instante. Um frio e um calor ao mesmo tempo. Calor de ódio. Frio de saudade. Na verdade, pode-se dizer que é uma brisa. Uma calmaria. Ou uma loucura. Não sei, Fabiano. Não preciso mentir sobre o meu desejo incessante de querer roubar outro beijo teu. Olhar nos teus olhos cor de terra e falar verdades que rebelam-se por dentro de mim. Penso diferente. Nunca tivemos um desfecho. O tempo surgiu para nos separarmos e acender essa nossa chama.

Sempre achei que fosse só tua. Que nenhuma outra menina-mulher ousaria roubar-te de mim. Sempre mantive os meus pés no chão quanto à nossa amizade. Os nossos segredos. Sempre vi nossos planos caminharem juntos sem medo do que o futuro poderia trazer-nos. Mas acho, também, que tuas palavras na carta me feriram.

Milhares de quilômetros nos separam, claro. Não é nada fácil eu conseguir grana para ir ver você em Oxford e beijar-te incansavelmente. Teus lábios, tua boca. E essa distância não me tira as lembranças e a chama dentro de mim. Não me torna fraca. Não paro de olhar nossas fotos no Hopi Hari, na Paulista, no Ibirapuera. Olhar para a tua boca é sinal de desejo, de paz, de descanso. É uma vontade louca de encostar o meu corpo no teu. Sentir tua pele. Nada se apaga, querido. Tudo engrandece.

Eu tenho vivido tão tola, sabe. Tão tola, que um dia estava na sala de aula e morri de rir, feito uma boba, desse dia que você jogou areia nos meus olhos sem querer na praia. Meus olhos ficaram vermelhos, mas foi de paixão, seu bobo! Eu estava tão feliz naquela tarde, que se toda a areia da praia estivesse sobre mim, por culpa sua, mesmo assim continuaria apaixonada. Eu não confundi nada. Nem você.

Quis mudar o corte do cabelo para ver o que você diria. Passei mais lápis nos olhos. Usei roupas um pouco mais provocantes. Eu vi sua carinha querendo-me só para você. O seu jeito tímido querendo me elogiar, mas algo em ti pedia silêncio. E logo mais, tirei teu silêncio com um beijo. Porque eu me sentia tão tua, tão amada, tão única! Meus dedos acariciando teus cabelos lisos e castanho-claros deixavam você louco. Eu vi. Eu senti. E tuas mãos fortes em minha cintura, levavam-me ao teu céu, querido. Ao cosmo!

Quero-te de volta. Às vezes eu penso que é apenas um sonho. Uma simples paixão.

Preciso redigir um artigo sobre a mente dos assassinos. Estranho, não? Mas vale minha nota do trimestre!

Um beijo,

Mariana

PS.: você, por acaso, ainda tem aquele cd da Adriana Calcanhotto que te dei no Natal?

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Elas

Eu estava cansado daquele dia trabalhado. Desci no shopping para pegar outro ônibus para o curso de inglês. Os olhos cansavam, a paciência quase acabara, a vontade de tomar um banho era enorme. O meu MP3 estava quebrado, logo não poderia ouvir o setlist baixado um dia antes em casa. Sentei na cadeira ao lado da janela daquele transporte urbano. Pessoas subiam apressadas sabe-se lá para quê. Universitários com seus livros e cadernos. Trabalhadores com o cansaço e estresse exposto.

Então, parei para ouvir a conversa delas...

- Menina, nem te conto!
- Que foi? [percebo um sorriso e uma leve risada]
- Sabe aquele menino que senta sempre do meu lado?
- Sei. O lourinho?
- É. Mulhé-é, hoje ele veio soltar umas indiretas. Falando dessa minha blusinha. [risos convencidos]
- Eita! E ai?
- Ah, eu fiquei na minha. Só sorri. E nem é a primeira vez.
- Vixe! Dá em cima também, mulhé!
- Ai, sei lá. Acho que não. Mulhé, ele é bonitinho, né? Mas eu num quero ninguém não.
- Aff...
- Falar nisso... Eu fui curiar o Orkut de Ranniel. Tinha um scrap dum doidinho dizendo “Ei, boy! Fim de semana foi role, né não? Ei , galado, tu esqueceu a viola na mala. Se liga, depois nóis ajeita aquele rolo. Falow!”.
- Vish, e ele num tá na faculdade não?
- Mulhé-é, Ranniel só vive badalando. Parece que foi nesse fim de semana pra uma casa de praia.
- É, né? Viola e tal... Deve ter sido lual. E esse outro doidinho?
- É, acho que foi. Mulhé, é Felipe. Depois eu mando o profile dele.
- Uhum. Menina, tu gosta ainda de Ranniel, né?
- Mulhéééé, eu amo aquele troço. [que adjetivo mais belo para quem ama outro, eu penso]
- Troço, é? [gargalhadas] [até a “amiga” percebeu o adjetivo]
- Última vez que “eu vi ele” foi no São João lá de Caicó. Tava com uma doidinha lá, no maior love.
- Sim, a festa tão falada! [gargalhadas]
- Foiiiiii! Em vês de ir dançar com Aviões do Forró, a gente foi beber lá perto, na casa da mãe de Jussara.
- Tô ligada nessa resenha. [risada safadinha]

Para mim, a conversa encerrou-se. Para mim, era o típico papo delas. Certo do que vivem. Certo do modo como falam. Como tratam-se. Não era uma fofoca
. Perdiam, talvez, o tempo. Ou ganhava-o falando bobagens de suas vidas.

Elas. Algumas delas eu não entendo. Deveria?

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

De um americano

Londres, 12 de setembro de 1940

Querida mãe,

Meu coração estremeceu quando cheguei à Inglaterra em maio deste ano. Foi uma longa viagem a navio de Boston para cá, mas senti que estaria em minha terra. País rico, bonito, com um ministro que demonstra afeto à nação da Grã-Bretanha. Se não fossem os temidos...
A senhora, meu querido pai, e todos os norte americanos já devem saber do que ocorreu no começo do mês passado aqui. Os pássaros pretos atacaram contra os portos e navios britânicos ao sul. Os campos de aviação foram demolidos em grande parte. Estamos sem poder dar continuidade à fabricação de novos aviões de guerra.

Ontem, o primo de um amigo de quarto, chegou para contar-nos da família deles que vivem em Southampton. Todos morreram com as bombas que foram lançadas à cidade. Apavorados estamos...

Partiremos, então, amanhã cedo para o leste da ilha, Lowestoft. Apesar das idéias do ministro, não estamos confiantes em permanecer aqui em Londres. Atravessaremos o canal até a Holanda. Chegando lá, procuraremos refúgio (provisório), e escreverei para todos.

A noite londrina está gélida como os nossos corações. As aulas na universidade foram interrompidas. Não existe um dia exato para a volta.

Apenas acabou de começar.
Deus nos abençoe.
Com carinho,

George Warts

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Os dois [ segunda parte ]

Quatro semanas já se passaram.
Tiveram o primeiro beijo. Foi diferente para os dois. Passaram um fim de semana no hotel Le Mathurin. Ele comprou o vinho que ela adorava. Comprou chocolates. Brindaram e comeram. Amaram-se ao som de Animals. Devoraram-se...

Ela puxava-o pelos cabelos lisos e louros dele. Olhava com calor para os olhos escuros e belos. Arranhava-o com suas unhas medianas nas costas, nos braços fortes, nos ombros. Ela dominava-o. Arranhava com carinho as coxas grossas e seus poucos pelos. Lambia-o na cintura, no umbigo, na barriga fina, nos mamilos atraentes. Beijava-o ferozmente.

Ele tinha-a em seu corpo. Comeu aquele corpinho finlandês. Beijou-a lentamente. Queria sentir cada traço dos lábios. O gosto doce do beijo. A língua em sua língua. Ele queria chupá-la, agarrá-la, musicalizá-la. Beijava-a toda. Aquele corpinho límpido e juvenil. Ele sentia orgasmos multiplicando-se no corpo.

Estavam em Paris.

Ele, Orlando. Ela, Vanessa. Os dois: música e literatura.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Os dois [ primeira parte ]

Conheceram-se no colegial. Não tiveram muita comunicação. Amigos apresentaram-nos. Em 1994, fizeram curso de intercâmbio em Paris. Caminharam naquelas ruas bonitas e compostas de música. Entraram em livrarias, cafés, parques, cinemas. Às vezes estudavam juntos por 3 horas seguidas nas bibliotecas públicas que Paris tinha a oferecer, ou até mesmo na casa dos amigos dele.


Ele conhecia muitos nomes da literatura ocidental. Lia sempre. Devorava as poesias, contos de Virginia Woolf. Gostava de Lispector, de Assis. Ela abraçava e mordia obras de escritores brasileiros também. Mas viajava nos contos completos de Woolf. A claridade no jeito como Virginia escrevia, mesmo com uma subjetividade em alguns dizeres, em alguns desejos, atiçava os pensamentos dela para um direcionamento alma-literário mais forte.

Ouviam The Beatles, Pink Floyd, Chico Buarque, Tropicália, Björk, música clássica. Compraram alguns discos para levarem quando fossem para o local onde nasceram. Riam juntos recordando cada época da vida ouvindo músicas que outrora os dois não compartilhavam.


Nesse tempo em Paris, ela fez uma tatuagem na panturrilha. Era a maçã dos Beatles. Ele resolveu fazer uma menina de vestido preto soltando um balão em formato de maçã (vermelha). Queriam uma marca no corpo para que um lembrasse-se do outro. Pareciam duas crianças embaixo da Torre Eiffel. Bobos com vários livros nas mãos, mochila nas costas, pensamentos a mil.

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Ganhei este selo da minha querida leitora Vanessa:
Tenho que indicar mais cinco blogs. Então, os queridíssimos e comtemplados são: Mundos (In)Versos, Palavras Quase Ocultas, Intersemiótica (da minha querida Aline Dias - Aline, não sei o que houve com o endereço. Clico e não consigo acessar), Em Processo Es (X)tático, Do Fundo do Meu Pâncreas .
a)Musica mágica: Off He Goes - Pearl Jam.
b)Filme mágico: A Fantástica Fábrica de Chocolates.
c)Viagem mágica: aquela.
d)Maquiagem mágica: seu sorriso, meu amor.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Para Vanessa

Paris, 14 de dezembro de 1997
Minha linda rosa,
O meu coração, gasto de saudade, acelera todas as manhãs pelas ruas de Paris. Vejo os casais andando de bicicleta pelas ruas, ou deitados em algum parque ou praça. Os enfeites do Natal mostram a luz de felicidade em cada um. Lojas apresentam o “Papai Noel”, e suas promoções para celebrar com muito amor o dia do menino Jesus.
Jingle Bells toca nas esquinas, nas lojas de discos, nas livrarias e shopping centers. Aqui no trabalho, montaram uma árvore, onde, aos pés dela existem presentinhos do ‘amigo secreto’. No canto da minha mesa, uma foto de nós três. O Rocco com o sorriso do paizão. Você, com o olhar de mulher-menina-sapeca. E eu, com meus escuros óculos de grau olhando para o lado. Quanta saudade de vocês dois!

Matematicamente calculando os segundos para voltar para Espoo.

Lindamente lendo Dom Casmurro, daquele grande escritor brasileiro. Voltei-me a lê-lo porque lembrei quando fomos ao Rio de Janeiro e a Natal. Você com aquela cara: “Ah, não compra, meu bem. Querias tanto A Hora da Estrela, não?”. Sim. Não comprei Dom Casmurro, mas sim, o outro. E acabei de ler na viagem para Natal.

Vi Dom Casmurro na prateleira da livraria em Natal. Desta vez, você comprou para mim. Foi tão interessante, porque no mesmo dia, na cama do hotel com você ao meu lado lendo-o para mim, eu dormi. E bobo, abestalhado por você, acordei com uma vontade incontrolável de beijá-la, abraçá-la, comê-la.

Em frações de segundos a saudade aperta. Conto todo o tempo que falta. Para aliviar essa dorzinha constante, comprei o seu presente de Natal. O do Rocco também está aqui. Voltamos em breve. Eu, Casmurro, Orlando e Macabéa.

Je t'aime avec tous les ballons en forme de coeur.

Orlando

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Orlando, mais uma para você

Espoo – Finlândia, 04 de abril de 2002

Os ventos aqui em Espoo acalmaram-se. Tenho conseguido ir ao trabalho, e voltei a ler meus livros e jornais. Encomendei um novo papel de parede para dar vida ao quarto, aos corredores, a cozinha, a sala, a toda a casa. Tintas estão secando na parte exterior. Enfim, troquei o cercado do jardim, e plantei mais duas coníferas para o próximo natal.
Logo ao acordar, hoje, dei bom dia para você, mas acho que não ouviu. Ciciei por seu nome, e aquele pássaro não pousou na janela como das outras vezes. Relevo esse dia insípido. Por isso, não tive um dia maravilhoso.

Chocolates.

Quando fui para o escritório, dei de cara com aquela loja onde comprávamos os nossos doces. Vi um cartaz que dizia em letras bem grandes: PROMOÇÃO! LEVE 5 CHOCOLATES FLOOPS E GANHE 1 EM FORMATO DE CORAÇÃO!. Bom demais para ser verdade. Uma: eu queria comer chocolate. Outra: eu queria matar a saudade de entrar na loja e ganhar um daqueles corações.

Tudo tão real. Algo tão irreal. Algo incerto.

Trouxe todas aquelas coisas para casa. Aluguei um filme. Fiz um suco ao leite de uva. Sentei-me na poltrona da sala, e pus-me a devorar tudo. Lágrimas não mais desceram no rosto. Minto. Chorei ao ver uma cena linda de Notting Hill. Lembrei da vez em que fomos assisti-lo no cinema.

Olho para o porta-retrato e vejo você ao lado de Orlando. Quase que o pego. Deixei-lo descansar em meio a tantos outros Orlandos. E o movimento lento das páginas Noite e Dia, leva-me aos atos auspiciosos de uma insídia. Agora não seria o momento apropriado para tal.

Mas eu estou bem, meu amor. Eu estou bem e não mais sem cuidado.

Aguardo...

Vanessa

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Para Orlando

Espoo - Finlândia, 07 de agosto de 2009

Recolho-me nesta noite em minha casa de campo. São exatamente 21h50 do dia 07. Hoje, fez-se dez anos o falecimento do meu marido e do meu filho. Olho para a lareira acesa no quarto, onde outrora, nós três permanecíamos atentos a cada grito de graveto. Quando pegávamos o nosso vinho italiano, e bebíamos demasiadamente por horas ao ouvir canções de David Gilmour.

Em cima da mesa, descansa Orlando. Quem me faz chorar como uma criança quando é ferida por um pai ou uma mãe que não dá um tão sonhado brinquedo. Descansa olhando-me masculinamente como uma mulher. E eu, eterna de dores, respiro lentamente as palavras desenhadas em seu corpo límpido. Há, entre nós, cenas de felicidade mútua e duradoura. Corre, entre nós, a chama do desejo em trazer aqueles dois homens para o meu leito sangrio.

Os poros em meu rosto de boneca “anos 20”, como ele dizia, parecem entregar-se ao mau tempo. Ao tempo composto de ondas revoltas, ventos fortes, e frio poderoso de amargura. Eu falo das lágrimas agora correntes em meu rosto. Falo delas. Cansam a alma, cansam todo o meu corpo. Porque a dor sobre saiu mais resistente de mim. A dor grita clara e altamente em bom som.

Beira Das incertezas.

E mesmo buscando em você, Orlando, eu sinto cada sílaba dos teus textos na minha mente gritante de refúgio. Mesmo vivendo com você todos esses anos brancos, eu sinto, agora, incertezas que talvez não consigam se curar. Vejo apenas as minhas linhas. Linhas ora corrompidas de exaustão. Linhas e parágrafos e versos e metáforas e poesias devastadoras do nosso amor doentio e belo. Paradoxalmente feito.

Na cama, aqui bem do meu lado, a girafinha do nosso querido doce, olha-me sentindo a falta do alguém. Puxo o cobertor. Puxo um pouco mais as minhas meias. Olho fixamente o desenhar de tuas letras, de tuas declarações de amor, de tuas declarações infantis e penosas. (basta!)

Já, e tão grandiosamente já, sinto que estou prestes a entregar-me a outro. Porque de nada adianta eu viver aqui. De nada adianta eu olhar para a janela à minha frente e ver a dança dos pássaros, ou, quem sabe, o único olhar daquele anjo. Não adianta assistir passivamente os aplausos para os teus gestos heróicos de homem puro dando margem a um OUTRO LUGAR.

E à nossa criança, que sinto muito por sua morte, tenho a sensação de que somente ela irá me levar ao mar, à água além-mar. Ao sofrimento constante. Ao paradoxo. Ao lugar, não sei onde, de paz. Ao cais.

Vanessa

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Dois.

"O Inconsciente me assombra e eu nêle tolo
Com a eólica fúria do harmatã inquieto!" - Augusto dos Anjos

"Luta mental significa pensar contra a corrente, não com a corrente.
É nosso trabalho perfurar as bolsas de gás
e descobrir as sementes da verdade." - Virginia Woolf



Algo me traduz.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Uma saudade instantânea. Parte 3 !



E eu realmente fico assim sem você...

"Eu te quero a todo instante
nem mil auto falantes vão poder
falar por mim
Eu não existo longe de você
e a solidão é o meu pior castigo.
Eu conto as horas pra poder te ver
mas o relógio tá de mal comigo." - Adriana Partimpim

domingo, 12 de julho de 2009

Uma saudade instantânea. Parte 2 !

Foto: dois e dois By Nobre Epígono

Porque ela continua. Inexplicavelmente, ela continua.
E continua com mais notas musicais. Àquelas que outrora
Brilhavam em nossos pensamentos. Em nossos corpos.
Em nossos desejos e esperanças.
Porque ela continua. Inexplicavelmente, ela continua firme e (quase) forte!

"Know a man, his face seemed pulled and tense

Like he's riding, on a motorbike in the strongest winds
So I approach with tact, suggest that he should relax
But he's always moving much too fast

Said he'll see me on the flipside
On this trip he's taken for a ride
He's been taking too much on
There he goes with his perfectly unkept clothes
There he goes

He's yet to come back, but I've seen his picture
It doesn't look the same up on the rack
We go way back

And I wonder bout his insides
Its like his thoughts are too big for his size
He's been taken, where I don't know
There he goes with his perfectly unkept hope
There he goes

And now I rub my eyes, for he has returned
Seems my preconceptions are what, should've been burned
For he still smiles, and he's still strong
Nothing's changed but the surrounding bullshit, that has grown

And now he's home, and we're laughing
Like we always did my same old, same old friend
Until a quarter to ten
I saw the strain creep in
He seems distracted and I know just what is going to happennext
Before his first step, He's off again" - Off He Goes (Pearl Jam)

terça-feira, 23 de junho de 2009

Uma saudade instantânea .

Foto: Dois animais (Por Nobre Epígono)

Uma música para relembrar de você. Setecentos e trinta dias de felicidade. Nós sabemos dela.

"I

Não sou escravo de ninguém
Ninguém, senhor do meu domínio
Sei o que devo defender
E, por valor eu tenho
E temo o que agora se desfaz.

Viajamos sete léguas
Por entre abismos e florestas
Por Deus nunca me vi tão só
É a própria fé o que destrói
Estes são dias desleais.

Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão
Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão.

Reconheço meu pesar
Quando tudo é traição,
O que venho encontrar
É a virtude em outras mãos.

Minha terra é a terra que é minha
E sempre será
Minha terra tem a lua, tem estrelas
E sempre terá.

II

Quase acreditei na sua promessa
E o que vejo é fome e destruição
Perdi a minha sela e a minha espada
Perdi o meu castelo e minha princesa.

Quase acreditei, quase acreditei

E, por honra, se existir verdade
Existem os tolos e existe o ladrão
E há quem se alimente do que é roubo
Mas vou guardar o meu tesouro
Caso você esteja mentindo.

Olha o sopro do dragão...

III

É a verdade o que assombra
O descaso que condena,
A estupidez, o que destrói

Eu vejo tudo que se foi
E o que não existe mais
Tenho os sentidos já dormentes,
O corpo quer, a alma entende.

Esta é a terra-de-ninguém
Sei que devo resistir
Eu quero a espada em minhas mãos.

Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão
Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão.

Não me entrego sem lutar
Tenho, ainda, coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então.

IV

- Tudo passa, tudo passará...

E nossa história não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz.
Teremos coisas bonitas pra contar.

E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos.
O mundo começa agora
Apenas começamos." - Metal Contra As Nuvens (Renato Russo)

domingo, 14 de junho de 2009

Momento de prazer. Gozo constante.

Foto: cena da série The Tudors

"Eu acordava ao amanhecer todos os dias, com o seu toque, a delícia de seu calor e o cheiro inebriante de sua pele. Eu nunca tinha me deitado com um homem que me amasse completamente, por mim mesma, e era uma experiência vertiginosa. Eu nunca tinha me deitado com um homem de quem eu adorava o toque, sem precisar esconder minha adoração, ou exagerá-la, ou ajustá-la, nada disso. Simplesmente o amava como se fosse o meu primeiro e único amante, e ele me amava com a mesma simplicidade de apetite e desejo, que me fazia pensar o que havia feito todos esses anos vivendo a moeda falsa da vaidade e da luxúria. Eu não sabia, durante todo esse tempo, que existia essa outra moeda, de ouro puro."


Trecho do livro A Irmã de Ana Bolena. Cena de amor entre Maria Bolena e William Stafford.


Estou COMPLETAMENTE apaixonado por essa história. Amazing!

terça-feira, 9 de junho de 2009

Aquela tarde...

Foto: cedida pelo Google

Sobre o que? Sobre o amor mais uma vez? Não quero que vire rotina falar sobre ele. Então sobre a paixão? Também não. Sobre o que, afinal?
Sobre o nada. Este deve trazer mais calmaria para o meu eu. O nada, mesmo sendo um vazio, um “dissílabo”, uma imensidão de incertezas, proteje-me neste instante dos problemas causados pelo tal coração. Deveria falar sobre guerra, aquecimento global, segurança pública, educação, política. Quem sabe eu deveria falar sobre academia? Braços, pernas, bundas, coxas, costas, barrigas, peitos, panturrilhas...
Mas não. Não quero falar sobre isso. Alguns devem achar que não passo de um estudantezinho de merda. Que em suas horas “vagas” fica a escrever coisas do coração. Sinceramente, cansei. Por hoje cansei. Em todo lugar que eu vou tem uma placa falando sobre amor. Com todos que eu falo, no fundo, falam sobre amor. Os meus textos, que muitos elogiam, falam sobre amor. Incrível como esse sentimento está ao “nosso” redor e mesmo assim ainda há discórdias. Não tenho como escapar.
Portanto, conclui em escrever sobre um fim de tarde que tive há semanas atrás. Aviso: vou baixar o nível! Irei contar quase todos os detalhes. Vou dizer o que senti naquele dia...


Desculpe-me, estou a sair de minha corte. Vou para o jardim mais longe daqui. Vou encontrar uma donzela.

Encontrei a sobrinha de um cliente do meu pai em um jardim próximo a nossa fazenda. Ela vestia um vestido branco, com pequeninas rosas roxas desenhadas sobre. Tinha alças finas, que com qualquer mudança na velocidade do vento, elas caiam de seus ombros. Tinha em seu cabelo um diadema brilhante. Seu perfume lembrava cítrico. Calçava uma sandália baixa. Tinha um cordão de ouro no pescoço e brincos no formato de coração.

Não senti amor, nem muito menos paixão. Queria apenas comê-la. Queria lamber suas orelhas, pôr meus dedos de leve na barriguinha fina, enquanto lamberia com voracidade seu pescoço branquinho. Queria puxá-la pelos cabelos e chamar de “gostosa! Gostosinha putinha!”.Queria tirar aquele vestido e deixá-la completamente nua. Exatamente como veio ao mundo. Queria meter o meu pau dentro dela. Este, já estava enrijecido. Ela já o sentia e dizia tão doce e cheia de desejos “ai, põe ele em mim. Deixa-me tocá-lo”. Ela queria tudo, tudo mesmo. Eu não queria quase nada.

Ela tocava os meus músculos. Tocava os meus braços fortes de guerreiro. Ela também me lambia e mordia meu ombro, minhas orelhas. Uma hora ela me segurou e olhou dentro dos meus olhos. Desceu sua língua por minha boca, enquanto eu acariciava sua bundinha gostosa. Mordeu meu queixo, e continuou a descer com a língua em meu pomo-de-adão. Fazia lambidas cíclicas em meu peitoral. O prazer consumia-me todo. Matou-me de desejo quando se levantou e ficou dançando pegando nos seios e na xoxota.
Transamos horrores. Gozamos muito. Foi uma tarde quente, apesar do frio que fazia. Aquela sobrinha do Sr. Teteco era desejada por muitos peões da redondeza. Se ela não dava por aí, fui o felizardo.

Pus os braços para cima alongando-os. Vesti minha camisa longa e minha calça de algodão quadriculada. Calcei as botas. Agachei para perto daquela donzela de 19 anos, beijei sua boca, seus seios, que ainda respiravam à mostra, e fui embora.

Foi um nada. Eu queria poder ter uma mulher de verdade. Não queria uma desse tipo. Essa que eu comi foi só mais uma entre tantas. Não merece o meu amor, minha paixão, nem muito menos o meu dinheiro, como muitas da cidade querem. Queria só dar uma fudida com ela. Os pões do meu pai sempre falavam daquela puta gostosinha, e eu não dava ouvidos. Abitolava-me com minhas paixões e amores pelo mundo afora. Até mesmo em minhas cartas e textos.

Voltei para a corte. Estou deitado só de cueca. Sozinho nesse quarto. Nesse nada. Nesse vazio constante.

* texto passou por modificações. O original está com o nível bem mais baixo, mas não deixa de ser uma obra da minha pessoa. Em breve, quem sabe, irei publicar o original. Ou não! Fui inspirado por uma passagem do livro que estou a ler "A Irmã de Ana Bolena", onde as duas comentam cheias de desejos sobre o rei Henrique VIII. Quem ainda não leu o livro, leia-o, se realmente for do seu interesse. Mas seria bom começar o primeiro volume "A Princesa Leal". Não querendo ler o livro da "irmã", assista o filme que foi inspirado "A Outra". Eu ainda não o vi. Em breve irei comentar sobre. Passar bem!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

“Pinta os lábios para escrever a sua boca em minha...”

Foto: M. Bolzan e F. Cintra (amiga e namorado dela em Londres)

Hoje eu acordei com um sorriso estampado no rosto. Eu sei qual o motivo. Estou aqui em casa, sentado no sofá, com um papel, uma caneta, vestindo uma bermuda preta com quadradozinhos brancos, uma camisa branca com o seu cheiro apaixonante. Ah, ao lado tem um copo, ou melhor, uma taça de vinho tinto e aquele chocolate que você me deu. A televisão de 21 polegadas está desligada. O aparelho de som está ligado tocando aquela nossa música. Já repetiu várias vezes. Não me canso de ouvir!

Posso começar? Vamos lá! Acordei feliz porque passamos um fim de semana incrível. Tudo começou na sexta-feira quando saímos da aula e fomos com os nossos amigos para o bar. Eu queria tanto tocar você. Queria tanto olhar nos seus olhos e ver a intensidade do brilho. Aconteceu o contrário. Foi você quem me tocou. Quem fez carinho na minha mão direita. Quem olhou para mim e viu meus olhos saltarem de felicidade. Você não sentiu meu coração, mas quero dizer que ele estava aceleradíssimo.

Senti o seu beijo doce em meus lábios. Senti sua mão tocando no meu pescoço. Senti sua língua lambendo minha orelha direita. Senti a sua mordida quente e doce em meu rosto. Eu viajei, literalmente. Sai desse mundo. Foi uma sensação inexplicável, meu amor.

No dia seguinte, eu estava de ressaca dos beijos, do seu calor, do seu olhar, do seu carinho, do rostinho bobo. Parecia que tudo não tinha passado de um sonho, juro. O seu cheiro no meu corpo trazia uma paz. Eu não tomei banho assim que cheguei em casa. Preferi sentir que estavas em mim. À noite, fomos lanchar naquele restaurante que gostamos. Vez ou outra, ou toda vez, os seus olhos me encaravam a ponto de eu me levantar da cadeira e avançar. Alguns percebiam o meu jeito encantador por aquele momento. Todos percebem. Não consigo estar na mesma, como se absolutamente nada estivesse acontecendo. Feliz estou ao seu lado.

No domingo, chamei os três para a minha casa. As fotos, os filmes – que não conseguimos assistir - , as duas garrafas de vinho, a caipirinha preparada por minha mãe, os chocolates, tudo, tudo mesmo, fez o nosso domingo não se parecer com o das outras pessoas que estão sozinhas. Rimos tanto, não foi? Você e esse seu sorriso encantador. [ái, meu deus! Estou mesmo feliz e apaixonado. Deixa estar] Era tanto carinho um para com o outro.

E hoje eu acordei ainda feliz. Dopado de felicidade. Acordei com uma vontade enorme de gastar todos os meus créditos do celular para ouvir a sua voz boba e em seguida passar uma mensagem. E o que aconteceu? Você quem fez isso primeiro. O bom de tudo é saber que estamos em sintonia. Saber que as notas musicais estão tocando equalizadas em nossos ouvidos, corações, peles, corpos. Saber que os meus próximos textos serão escritos exclusivamente para o meu amor. Saber que os nossos dias que virão, serão aproveitados e apreciados como uma taça com vinho.

Você lembra daquele papel do presente? Está guardado na minha gaveta, junto a uma foto nossa.

Preciso repetir: felicidade, felicidade agora! Adoro você.

São 10:30. Preciso ir tomar um banho e ir para a academia. Falamo-nos no decorrer do dia, meu amor.

Um beijo gracioso.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Uma, duas, três, quatro traições.

Foto: Cena do filme A Outra.


“Respirava lenta e regularmente como se estivesse nauseada. Não falava absolutamente nada.”

Ela tinha procurado-o. Queria conversar seriamente sobre aquela situação. Ele partira de sua casa rapidamente. Era como se tivesse ganho na loteria, e o dinheiro fosse abortar no banco. Não conseguiu, se quer, beijá-la como antes. Apenas abraçou-a e deu um simples beijo na testa.
Seguiu Ricardo. Ela conseguiu caminhar até o carro, e segui-lo nas ruas da cidade. Ele foi direto para o apartamento. Tomou um banho...

- Minha nossa! Já são 23h. – Ela falou sozinha dentro do carro.

Ele saiu. Foi em direção a uma boate na zona sul. Ela também foi. Seria bom dançar um pouco os últimos sucessos da pista de dança. Ela o observava de longe. A outra chegou. Nós chegamos. Clara sabia que existia outra tomando o seu namorado. Seduzia-o como nunca. Dançavam super agarrados. Até então, era apenas dança, dança, dança...

Clara reconheceu outros amigos deles lá. Foi quando ela se aproximou. Viu o esperado: Ricardo deliciava-se com a outra. Aproximou-se ainda mais. Olhou-os seriamente. Todos se voltaram para ela, inclusive eu.

O meu coração acelerou. Procurei um canto onde pudesse enterrar a minha cara. Onde pudesse enterrar as minhas mentiras e falta de amizade. Sei que errei. Aliás, todos nós do “grupinho”, erraram. Fui a escolhida.

- Você, Roberta? – Clara falava sem derramar uma lágrima. Apenas séria. Com o olhar direto.
- Eu, Clara. Perdão, amiga.
Todos pararam de dançar e quiseram tocá-la, pedir desculpas. O Ricardo saiu imediatamente. Os meninos foram atrás dele. Eu e as meninas tentamos segurar a Clara para esclarecer as coisas.
Ela falou calmamente:
- Não quero explicações de vocês. Não quero acusá-las de nada. Não quero que percam o tempo falando os motivos. Ops! Se é que tem motivos para terem feito isso comigo. Continuem dançando. Estão belas!

Saiu segurando sua carteira vermelha, que naquele momento, expressava o ódio latente dentro dela.

Procurei no dia seguinte. Parecia que não iria me atender, mas, incrivelmente, atendeu.
Dona Ana, a mãe, disse-me ao entrar:
- Que papelão, hem Roberta?
Não me reconheci, confesso. Fiquei de queixo caído. Apertei minhas mãos e entrei na casa. Clara estava na cama, lendo um livro. Ela me olhou firme com sua boca fechada e os olhos presos aos meus. Não derramou lágrimas. Não me gritou.

Apenas me ouviu.

- Em primeiro lugar, desculpe-me pelo que aconteceu. Sinto-me tão mal. Perdi o restante... Ou melhor, perdi a confiança que você tinha em mim. Não vou dar explicações pelo Ricardo. Não vou pedir desculpas por ele. Cada um fala por si. Cada um sabe das suas falhas e cada um deve ter o grão de “amizade” e conversar com você pessoalmente. Soube desde um mês atrás que ele estava se encontrando com a Helena. Trocando mensagens via celular, Orkut, MSN. As meninas me contaram tudo. Eu preferi o silêncio diante de você. Mas foi muito pior do que abrir logo o joguinho que o seu namorado estava fazendo. Juro como não imaginava encontrá-la ontem na boate. Eu sabia, sim, que ele iria para lá encontrar a Hel. Eu sabia que eles tinham ido no fim de semana passado para uma pousada numa praia do sul. E você me ligou desabafando e eu me fazendo de inocente e de puta de raiva com ele. Eu sabia que na próxima semana ele iria, realmente, pôr um fim na relação. Engraçado, você deve achar. Eu sabendo disso primeiro que você. Todos sabendo disso primeiro que você. Sabia dos dois presentes que ele tinha dado para ela: um livro, O Mundo de Sofia, que tantas vezes você havia comentado falado para ele que queria-o de presente. E uma girafinha de pelúcia que você já havia comentado COMIGO.

Eu sei que foi uma poli traição. A pior foi a minha. Entenderei – peguei nas mãos dela – se você não quiser mais olhar para a minha cara. Se preferir me ignorar na faculdade. Ou, se é que há esperança para mim, darmos um tempo nisso tudo. Mas agora, na minha próxima confissão, não deveremos mesmo mais prosseguir. – Ela não mexia – Ele a engravidou, Clara. – Ela apertou minhas mãos e fechou os olhos. – Ela está grávida de 2 meses e meio. – Apertou mais ainda minhas mãos. – Deve pôr um ponto final nessa história. Ah, quem sou eu para falar isso, né? Eu falo em toda a história. Não apenas na de vocês dois, mas na nossa. Então é isso. Acho que nada para dizer...

Ela não disse nada. Sai. Hoje faz 9 meses e 15 dias que não trocamos um oi. Estou mal. Absurdamente mal. Não consigo suportar essa perda. Essa minha falha. Éramos tão ligadas.
Estou só. Absurdamente só.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Um singelo desabafo.

Foto: Meus chinelos. Por Nobre Epígono


Eu estava em estado de choque. Mesmo paralisado pelos absurdos que a vida, tão bela vida, nos traz, estava com o coração acelerado. Não sabia o que fazer. Simplesmente, eu apenas olhava em direção a palavra que saia de sua boca. Mordia-me por dentro com ódio daquela situação. Poderia não escrever mais. Poderia não mais olhar para a sua cara. Poderia, enfim, esnobá-lo.

Mas não. Eu não sou assim. Eu não fiz assim. Eu calcei os meus chinelos, vesti minha calça jeans, pus uma camisa listrada de manga longa azul com branco, e fui caminhar no calçadão da praia. Não reconhecia aqueles rostos. O brilho das ondas do mar não era mais intenso. Algo estava acabado. Algo tinha estragado aquela perfeição da natureza. Eu tinha forças, não sei de onde, mas as tinha.

Eu precisava, naquela hora, de alguém diferente para me acolher. Para me sentir seguro. Tinha duas amigas. Elas me acolheram. Deram-me carinho, deram-me ouvidos. Deram-me paciência, deram-me palavras. Deram-me seus ombros. Tenho um espírito que não se rebaixa. Ele se entristece, demais até, mas não se rebaixa. É preciso estar de pé e de queixo erguido. Mesmo que nada funcione, é preciso sentir e estar assim. E juro, queria muito não decepcionar você e vocês. Queria mais ainda, não receber calúnias e difamações. Não receber uma espada nas costas, como os antigos cavaleiros cavalheiros recebiam de seus próprios “amigos”.

E continuo a caminhar. Continuo tentando entender o que há em mim. Não me acho “bonzinho”. Não me acho esperto demais. Acho que tenho, eu disse “acho”, uma fidelidade para com você. Ou melhor, para comigo. Esqueça o que disse! Tenho um espírito passivo a certas situações constrangedoras. Ou é bom, ou é ruim.

E continuo a caminhar. Continuo deixando marcas no seu corpo. Continuo perdoando as traições, a falta de respeito, as mentiras persistentes, a falsidade... Bem, perdoando tudo o que um ser humano não deve ter. Não mais deveria me surpreender com essas falhas alheias. Já passei por outras... Piores, ou não. Mas acabo me dando ao luxo de ser surpreendido. Pego de surpresa, como um ratinho é pego numa ratoeira.

Cheguei em casa e tirei meus chinelos. Tirei minha calça jeans, minha camisa listrada. Tirei minha cueca boxe branca. Despi-me. Eu precisava tomar um banho. Precisava esfriar muito mais minha cabeça. Precisava me recompor.

Eu acendi um insenso. Deitei na cama. Chorei por 15 minutos e adormeci.
Estou aqui. Tudo continua na mesma.
Estou sozinho.
Sozinho.
Só.

Declarado por Nobre Epígono (sim, eu mesmo). Em 27 de maio de 2009.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

A amante e o rei.

Foto: cena de série americana The Tudors (sobre Henrique VIII)

Participo de um ato de amor entre duas pessoas. Maravilho-me com a delicadeza das palavras de Philippa Gregory. Mordo os lábios imaginando o tal ato. Sinto um frio na pele ao ler esta cena:


"O rei estava sentado diante do fogo, envolvido por um robe de veludo, adornado com pele. Ao ouvir a porta se abrir, levantou-se de um pulo.

Fiz uma reverência profunda.

- Mandou me chamar, Majestade?

Não conseguiu tirar os olhos de minha face.

- Mandei. E agradeço ter vindo. Queria ver... Queria falar... Queria ter um pouco... - interrompeu-se. - Eu queria você.

Aproximei-me um pouco mais. A essa distância ele poderia sentir o perfume de Ana, pensei. Joguei a cabeça e senti o peso do meu cabelo mudar de lado. Vi seus olhos irem do meu rosto ao meu cabelo, e ao meu rosto de novo. Ouvi a porta se fechar atrás de mim quando George saiu sem uma palavra. Henrique nem mesmo o viu sair.

- Sinto-me honrada, Majestade - murmurei.
Sacudiu a cabeça, não foi um gesto de impaciência, mas sim o gesto de um homem que não quer perder tempo.
- Quero você - disse de novo, o tom da voz sem se alterar, como se isso fosse tudo o que uma mulher precisasse saber. - Quero você, Maria Bolena.

Dei mais um pequeno passo na sua direção, inclinei-me para ele. Senti o calor de seu hálito e, depois, o toque de seus lábios em meu cabelo. Não me mexi, nem para a frente nem para trás.
- Maria - sussurrou ele, e a sua voz soou entrecortada de prazer.
- Majestade?
- Por favor, me chame de Henrique. Quero ouvir meu nome em sua boca.
- Henrique.
- Você não me quer? - sussurrou ele. - Como homem? Se eu fosse agricultor na terra de seu pai, você ia me querer? - Pôs a mão sob meu queixo e ergueu meu rosto para que pudesse olhar em meus olhos. Encontrei seu olhar azul. Cautelosamente, delicadamente, coloquei minha mão em seu rosto e senti a maciez de sua barba. Imediatamente ele fechou os olhos, virou o rosto e beijou minha mão.

- Sim - repliquei sem me importar que fosse tolice. Só conseguia imaginá-lo rei da Inglaterra. Ele não podia negar ser um rei assim como eu não podia negar ser uma Howard. - Se não fosse ninguém e eu não fosse ninguém, o amaria - sussurrei. - Se fosse um agricultor com um campo de lúpulos, eu o amaria. Se eu fosse uma garota que colhesse os lúpulos, me amaria?

Puxou-me para si, suas mãos quentes em meu corpete.

- Amaria - afirmou. - Eu a reconheceria em qualquer lugar como meu verdadeiro amor. Quem quer que eu fosse, quem quer que você fosse, a reconheceria imediatamente como o meu amor verdadeiro.

Baixou sua cabeça e me beijou, primeiro com doçura, depois mais forte, o toque quente de seus lábios. Então, me levou pela mão à sua cama com dossel, deitou-me e pôs seu rosto no alto dos meus seios, acima do corpete que Ana, prestimosamente, havia afrouxado para ele."

terça-feira, 5 de maio de 2009

Eu resido em Londres. Sim, estou apaixonada.

Foto: M. Bolzan (amiga em Londres / 2009) By alguém


Londres, 15 de abril de 2009

Que frio! Não se preocupe, estou com os cobertores sobre o meu corpo. Preciso tomar um café. Vou ali embaixo olhar os carros passar e pegar um café na lanchonete...

Voltei!

Sem mais delongas... Meu nome é Francisca Maranhão de Carvalho. Muitos sabem do meu nome. Poucos me conhecem. Dizem que sou um paradoxo por causa dos meus quadros e poesias. Afirma, com toda certeza, que o acaso transforma-me no tal paradoxo. Põem a mão no fogo por mim. Olha que só tenho 20 anos. Apenas dizem, comentam, fofocam... Trocam migalhas. Eu me conheço. Isso basta!

Sou Francisca, filha de Antonio Benigno Carvalho e Maria da Consolação Maranhão. Meus pais deixaram-me aqui em Londres para eu dar continuidade aos meus estudos acadêmicos. Eles não sabem o quanto estou feliz. Curso arquitetura e faço aula de jump, pilates e, sempre que posso, corro no quarteirão onde resido. É bom preencher o tempo com essas atividades. Faz-me esquecer do Brasil e dos problemas que passei. Não, eu não queria lembrar deles. Que saco!

Conheci George Lewis. Ele tem 21 anos e cursa Direito. Ele não é como os outros rapazes: nerd, feio, magrelo, leso. George tem cabelos lisos, louros puxados para castanho claro, olhos verdes, branco (nem tão branco), boca um pouco carnuda, muito bonito, pratica jump na mesma academia que eu, faz musculação, é cheiroso. Não fede como alguns ingleses. (risos) Ele não é inglês, é irlandês mas mora aqui desde os seus 8 anos. Adora literatura nórdica, inglesa e, incrivelmente, brasileira! Gosta de arte em geral... Aprecia as coisas belas da vida. Bom, muito bom.

Fomos para um bar semana passada, e lá tocavam músicas do meu país. Relembrei de alguns fatos, mas eu tinha-o ao meu lado. Por um momento, esquecia-me daqueles. Ouvimos um cantor da MPB, prefiro não citar o nome, que fez com que nossos olhares cruzassem em sintonia. Como foi bom! Rimos bastante, bebemos bastante. Sim, beijamo-nos bastante.
Transamos.
Ele tem um corpo como nenhum outro deve ter. E eu sei que os meus seios, minha cintura, barriga, minhas pernas deixaram-no louco de prazer. Fica em OFF.
Tenho uma exposição de quadros e poesias na próxima quarta-feira, 22. Eles causaram um caos feminino para as meninas que moram comigo. Acham-me uma putinha de 20 anos disfarçada de freira. Danem-se! Eu sei que não sou o que elas imaginam. Eu me conheço.
Vem para a minha exposição!

PS.: há dois dias não recebo notícias do George. Não o vejo na universidade. Ele não responde os meus e-mails.

Com amor,

Carvalho, a sempre sua amante.
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Ganhei este selo de uma leitora muito assídua. Ela se chama: A Menininha, e comanda um blog bem íntimo e sério: http://intimoepessoalblog.blogspot.com/



"Regras deste selo: Esse é o Troféu do Amigo! Esses blogs são extremamente charmosos. Esses blogueiros têm o objetivo de se achar e serem amigos. Eles não estão interessados em se auto promover. Nossa esperança é que quando os laços desse troféu são cortados ainda mais amizades sejam propagadas. Entregue esse troféu para oito blogueiros(as) que devem escolher oito outros blogueiros(as) e incluir esse texto junto com seu troféu!!!"
Meu indicados são:

http://criticalwatcher.blogspot.com/

http://processoesxtatico.blogspot.com/

http://intersemiotica.blogspot.com/

http://mundosinversos.blogspot.com/

http://angeloapnascimento.blogspot.com/