Vivência, 24 de Outubro de 1949
Eu, um tipo de ser humano complicado. Eu, que outro dia era sua. Eu, que não sei se irei suportar a saudade que derruba meu corpo inteiro no chão, em cima das cartas que eram para você.
“as suas cores no seu olho tão de perto” – uma tal de Priscila
Parece ser estranho escrever ao mesmo tempo para nós dois, amor que se foi. É estranho, é lindo, é perfeito... Mas não é a mesma coisa sem você aqui, Rubens. Eu perdi nesse jogo. Um jogo que nem ao menos tinha começado direito.
“i will ignorin you...” – Priscila mais uma vez
Não quero ignora-lo, amor. Queria tentar. Arriscar? Quem sabe... Mas arriscando é muito perigoso. Além do mais só tenho 15 anos, não é? Por que só tentamos poucas vezes nos tocar? Acho que você nem tanto. Mas juro como eu tentei.
“se eu não me vigio um instante, me transporto pra perto de você” – a Priscila
“e eu acho que eu gosto mesmo de você
Bem do jeito que você é” – ela outra vez
Mas você é apenas um morto, Rubens. É apenas uma nova estrela no meu mundo de sonhos... no meu céu.
“e o tempo é só meu e ninguém registra a cena
De repente vira um filme todo em câmera lenta”...
Para nós dois, acho que ainda virão várias outras canções. Para nós dois, o tempo tornou-se tão carregado depois de sua partida... E agora mesmo chove lá fora... Mas porque cai tão lentamente? Cai logo de pressa, Rubens!
Certo. O certo é que tenho uma pergunta para fazer-te: quando você vai estar sentado na janela do meu quarto para me levar contigo? Quando vou poder sair dessa tragédia, e entrar no teu mundo um tanto quanto mágico? Quando vou conseguir tirar você da cabeça, mesmo que não funcione, mesmo não querendo?
Não, não, não! Não Rubens! Eu estou só agora... Eu estou sem você, meu amigo. Eu estou sem o meu ombro-amigo. Estou quase pulando desse barco torto. Não há nada que possa me impedir de fazer! Por que você não me toma?
Com muita, mas muita saudade mesmo,
Guilhermina – tua sempre Gui