segunda-feira, 1 de junho de 2009

Uma, duas, três, quatro traições.

Foto: Cena do filme A Outra.


“Respirava lenta e regularmente como se estivesse nauseada. Não falava absolutamente nada.”

Ela tinha procurado-o. Queria conversar seriamente sobre aquela situação. Ele partira de sua casa rapidamente. Era como se tivesse ganho na loteria, e o dinheiro fosse abortar no banco. Não conseguiu, se quer, beijá-la como antes. Apenas abraçou-a e deu um simples beijo na testa.
Seguiu Ricardo. Ela conseguiu caminhar até o carro, e segui-lo nas ruas da cidade. Ele foi direto para o apartamento. Tomou um banho...

- Minha nossa! Já são 23h. – Ela falou sozinha dentro do carro.

Ele saiu. Foi em direção a uma boate na zona sul. Ela também foi. Seria bom dançar um pouco os últimos sucessos da pista de dança. Ela o observava de longe. A outra chegou. Nós chegamos. Clara sabia que existia outra tomando o seu namorado. Seduzia-o como nunca. Dançavam super agarrados. Até então, era apenas dança, dança, dança...

Clara reconheceu outros amigos deles lá. Foi quando ela se aproximou. Viu o esperado: Ricardo deliciava-se com a outra. Aproximou-se ainda mais. Olhou-os seriamente. Todos se voltaram para ela, inclusive eu.

O meu coração acelerou. Procurei um canto onde pudesse enterrar a minha cara. Onde pudesse enterrar as minhas mentiras e falta de amizade. Sei que errei. Aliás, todos nós do “grupinho”, erraram. Fui a escolhida.

- Você, Roberta? – Clara falava sem derramar uma lágrima. Apenas séria. Com o olhar direto.
- Eu, Clara. Perdão, amiga.
Todos pararam de dançar e quiseram tocá-la, pedir desculpas. O Ricardo saiu imediatamente. Os meninos foram atrás dele. Eu e as meninas tentamos segurar a Clara para esclarecer as coisas.
Ela falou calmamente:
- Não quero explicações de vocês. Não quero acusá-las de nada. Não quero que percam o tempo falando os motivos. Ops! Se é que tem motivos para terem feito isso comigo. Continuem dançando. Estão belas!

Saiu segurando sua carteira vermelha, que naquele momento, expressava o ódio latente dentro dela.

Procurei no dia seguinte. Parecia que não iria me atender, mas, incrivelmente, atendeu.
Dona Ana, a mãe, disse-me ao entrar:
- Que papelão, hem Roberta?
Não me reconheci, confesso. Fiquei de queixo caído. Apertei minhas mãos e entrei na casa. Clara estava na cama, lendo um livro. Ela me olhou firme com sua boca fechada e os olhos presos aos meus. Não derramou lágrimas. Não me gritou.

Apenas me ouviu.

- Em primeiro lugar, desculpe-me pelo que aconteceu. Sinto-me tão mal. Perdi o restante... Ou melhor, perdi a confiança que você tinha em mim. Não vou dar explicações pelo Ricardo. Não vou pedir desculpas por ele. Cada um fala por si. Cada um sabe das suas falhas e cada um deve ter o grão de “amizade” e conversar com você pessoalmente. Soube desde um mês atrás que ele estava se encontrando com a Helena. Trocando mensagens via celular, Orkut, MSN. As meninas me contaram tudo. Eu preferi o silêncio diante de você. Mas foi muito pior do que abrir logo o joguinho que o seu namorado estava fazendo. Juro como não imaginava encontrá-la ontem na boate. Eu sabia, sim, que ele iria para lá encontrar a Hel. Eu sabia que eles tinham ido no fim de semana passado para uma pousada numa praia do sul. E você me ligou desabafando e eu me fazendo de inocente e de puta de raiva com ele. Eu sabia que na próxima semana ele iria, realmente, pôr um fim na relação. Engraçado, você deve achar. Eu sabendo disso primeiro que você. Todos sabendo disso primeiro que você. Sabia dos dois presentes que ele tinha dado para ela: um livro, O Mundo de Sofia, que tantas vezes você havia comentado falado para ele que queria-o de presente. E uma girafinha de pelúcia que você já havia comentado COMIGO.

Eu sei que foi uma poli traição. A pior foi a minha. Entenderei – peguei nas mãos dela – se você não quiser mais olhar para a minha cara. Se preferir me ignorar na faculdade. Ou, se é que há esperança para mim, darmos um tempo nisso tudo. Mas agora, na minha próxima confissão, não deveremos mesmo mais prosseguir. – Ela não mexia – Ele a engravidou, Clara. – Ela apertou minhas mãos e fechou os olhos. – Ela está grávida de 2 meses e meio. – Apertou mais ainda minhas mãos. – Deve pôr um ponto final nessa história. Ah, quem sou eu para falar isso, né? Eu falo em toda a história. Não apenas na de vocês dois, mas na nossa. Então é isso. Acho que nada para dizer...

Ela não disse nada. Sai. Hoje faz 9 meses e 15 dias que não trocamos um oi. Estou mal. Absurdamente mal. Não consigo suportar essa perda. Essa minha falha. Éramos tão ligadas.
Estou só. Absurdamente só.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Um singelo desabafo.

Foto: Meus chinelos. Por Nobre Epígono


Eu estava em estado de choque. Mesmo paralisado pelos absurdos que a vida, tão bela vida, nos traz, estava com o coração acelerado. Não sabia o que fazer. Simplesmente, eu apenas olhava em direção a palavra que saia de sua boca. Mordia-me por dentro com ódio daquela situação. Poderia não escrever mais. Poderia não mais olhar para a sua cara. Poderia, enfim, esnobá-lo.

Mas não. Eu não sou assim. Eu não fiz assim. Eu calcei os meus chinelos, vesti minha calça jeans, pus uma camisa listrada de manga longa azul com branco, e fui caminhar no calçadão da praia. Não reconhecia aqueles rostos. O brilho das ondas do mar não era mais intenso. Algo estava acabado. Algo tinha estragado aquela perfeição da natureza. Eu tinha forças, não sei de onde, mas as tinha.

Eu precisava, naquela hora, de alguém diferente para me acolher. Para me sentir seguro. Tinha duas amigas. Elas me acolheram. Deram-me carinho, deram-me ouvidos. Deram-me paciência, deram-me palavras. Deram-me seus ombros. Tenho um espírito que não se rebaixa. Ele se entristece, demais até, mas não se rebaixa. É preciso estar de pé e de queixo erguido. Mesmo que nada funcione, é preciso sentir e estar assim. E juro, queria muito não decepcionar você e vocês. Queria mais ainda, não receber calúnias e difamações. Não receber uma espada nas costas, como os antigos cavaleiros cavalheiros recebiam de seus próprios “amigos”.

E continuo a caminhar. Continuo tentando entender o que há em mim. Não me acho “bonzinho”. Não me acho esperto demais. Acho que tenho, eu disse “acho”, uma fidelidade para com você. Ou melhor, para comigo. Esqueça o que disse! Tenho um espírito passivo a certas situações constrangedoras. Ou é bom, ou é ruim.

E continuo a caminhar. Continuo deixando marcas no seu corpo. Continuo perdoando as traições, a falta de respeito, as mentiras persistentes, a falsidade... Bem, perdoando tudo o que um ser humano não deve ter. Não mais deveria me surpreender com essas falhas alheias. Já passei por outras... Piores, ou não. Mas acabo me dando ao luxo de ser surpreendido. Pego de surpresa, como um ratinho é pego numa ratoeira.

Cheguei em casa e tirei meus chinelos. Tirei minha calça jeans, minha camisa listrada. Tirei minha cueca boxe branca. Despi-me. Eu precisava tomar um banho. Precisava esfriar muito mais minha cabeça. Precisava me recompor.

Eu acendi um insenso. Deitei na cama. Chorei por 15 minutos e adormeci.
Estou aqui. Tudo continua na mesma.
Estou sozinho.
Sozinho.
Só.

Declarado por Nobre Epígono (sim, eu mesmo). Em 27 de maio de 2009.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

A amante e o rei.

Foto: cena de série americana The Tudors (sobre Henrique VIII)

Participo de um ato de amor entre duas pessoas. Maravilho-me com a delicadeza das palavras de Philippa Gregory. Mordo os lábios imaginando o tal ato. Sinto um frio na pele ao ler esta cena:


"O rei estava sentado diante do fogo, envolvido por um robe de veludo, adornado com pele. Ao ouvir a porta se abrir, levantou-se de um pulo.

Fiz uma reverência profunda.

- Mandou me chamar, Majestade?

Não conseguiu tirar os olhos de minha face.

- Mandei. E agradeço ter vindo. Queria ver... Queria falar... Queria ter um pouco... - interrompeu-se. - Eu queria você.

Aproximei-me um pouco mais. A essa distância ele poderia sentir o perfume de Ana, pensei. Joguei a cabeça e senti o peso do meu cabelo mudar de lado. Vi seus olhos irem do meu rosto ao meu cabelo, e ao meu rosto de novo. Ouvi a porta se fechar atrás de mim quando George saiu sem uma palavra. Henrique nem mesmo o viu sair.

- Sinto-me honrada, Majestade - murmurei.
Sacudiu a cabeça, não foi um gesto de impaciência, mas sim o gesto de um homem que não quer perder tempo.
- Quero você - disse de novo, o tom da voz sem se alterar, como se isso fosse tudo o que uma mulher precisasse saber. - Quero você, Maria Bolena.

Dei mais um pequeno passo na sua direção, inclinei-me para ele. Senti o calor de seu hálito e, depois, o toque de seus lábios em meu cabelo. Não me mexi, nem para a frente nem para trás.
- Maria - sussurrou ele, e a sua voz soou entrecortada de prazer.
- Majestade?
- Por favor, me chame de Henrique. Quero ouvir meu nome em sua boca.
- Henrique.
- Você não me quer? - sussurrou ele. - Como homem? Se eu fosse agricultor na terra de seu pai, você ia me querer? - Pôs a mão sob meu queixo e ergueu meu rosto para que pudesse olhar em meus olhos. Encontrei seu olhar azul. Cautelosamente, delicadamente, coloquei minha mão em seu rosto e senti a maciez de sua barba. Imediatamente ele fechou os olhos, virou o rosto e beijou minha mão.

- Sim - repliquei sem me importar que fosse tolice. Só conseguia imaginá-lo rei da Inglaterra. Ele não podia negar ser um rei assim como eu não podia negar ser uma Howard. - Se não fosse ninguém e eu não fosse ninguém, o amaria - sussurrei. - Se fosse um agricultor com um campo de lúpulos, eu o amaria. Se eu fosse uma garota que colhesse os lúpulos, me amaria?

Puxou-me para si, suas mãos quentes em meu corpete.

- Amaria - afirmou. - Eu a reconheceria em qualquer lugar como meu verdadeiro amor. Quem quer que eu fosse, quem quer que você fosse, a reconheceria imediatamente como o meu amor verdadeiro.

Baixou sua cabeça e me beijou, primeiro com doçura, depois mais forte, o toque quente de seus lábios. Então, me levou pela mão à sua cama com dossel, deitou-me e pôs seu rosto no alto dos meus seios, acima do corpete que Ana, prestimosamente, havia afrouxado para ele."

terça-feira, 5 de maio de 2009

Eu resido em Londres. Sim, estou apaixonada.

Foto: M. Bolzan (amiga em Londres / 2009) By alguém


Londres, 15 de abril de 2009

Que frio! Não se preocupe, estou com os cobertores sobre o meu corpo. Preciso tomar um café. Vou ali embaixo olhar os carros passar e pegar um café na lanchonete...

Voltei!

Sem mais delongas... Meu nome é Francisca Maranhão de Carvalho. Muitos sabem do meu nome. Poucos me conhecem. Dizem que sou um paradoxo por causa dos meus quadros e poesias. Afirma, com toda certeza, que o acaso transforma-me no tal paradoxo. Põem a mão no fogo por mim. Olha que só tenho 20 anos. Apenas dizem, comentam, fofocam... Trocam migalhas. Eu me conheço. Isso basta!

Sou Francisca, filha de Antonio Benigno Carvalho e Maria da Consolação Maranhão. Meus pais deixaram-me aqui em Londres para eu dar continuidade aos meus estudos acadêmicos. Eles não sabem o quanto estou feliz. Curso arquitetura e faço aula de jump, pilates e, sempre que posso, corro no quarteirão onde resido. É bom preencher o tempo com essas atividades. Faz-me esquecer do Brasil e dos problemas que passei. Não, eu não queria lembrar deles. Que saco!

Conheci George Lewis. Ele tem 21 anos e cursa Direito. Ele não é como os outros rapazes: nerd, feio, magrelo, leso. George tem cabelos lisos, louros puxados para castanho claro, olhos verdes, branco (nem tão branco), boca um pouco carnuda, muito bonito, pratica jump na mesma academia que eu, faz musculação, é cheiroso. Não fede como alguns ingleses. (risos) Ele não é inglês, é irlandês mas mora aqui desde os seus 8 anos. Adora literatura nórdica, inglesa e, incrivelmente, brasileira! Gosta de arte em geral... Aprecia as coisas belas da vida. Bom, muito bom.

Fomos para um bar semana passada, e lá tocavam músicas do meu país. Relembrei de alguns fatos, mas eu tinha-o ao meu lado. Por um momento, esquecia-me daqueles. Ouvimos um cantor da MPB, prefiro não citar o nome, que fez com que nossos olhares cruzassem em sintonia. Como foi bom! Rimos bastante, bebemos bastante. Sim, beijamo-nos bastante.
Transamos.
Ele tem um corpo como nenhum outro deve ter. E eu sei que os meus seios, minha cintura, barriga, minhas pernas deixaram-no louco de prazer. Fica em OFF.
Tenho uma exposição de quadros e poesias na próxima quarta-feira, 22. Eles causaram um caos feminino para as meninas que moram comigo. Acham-me uma putinha de 20 anos disfarçada de freira. Danem-se! Eu sei que não sou o que elas imaginam. Eu me conheço.
Vem para a minha exposição!

PS.: há dois dias não recebo notícias do George. Não o vejo na universidade. Ele não responde os meus e-mails.

Com amor,

Carvalho, a sempre sua amante.
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Ganhei este selo de uma leitora muito assídua. Ela se chama: A Menininha, e comanda um blog bem íntimo e sério: http://intimoepessoalblog.blogspot.com/



"Regras deste selo: Esse é o Troféu do Amigo! Esses blogs são extremamente charmosos. Esses blogueiros têm o objetivo de se achar e serem amigos. Eles não estão interessados em se auto promover. Nossa esperança é que quando os laços desse troféu são cortados ainda mais amizades sejam propagadas. Entregue esse troféu para oito blogueiros(as) que devem escolher oito outros blogueiros(as) e incluir esse texto junto com seu troféu!!!"
Meu indicados são:

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quinta-feira, 30 de abril de 2009

Uma dose de carta. Destinatário: desconhecido.

Foto: Noite de Vinhos e Desejos/Sampa Dez 2008 (By Nobre Epígono)

Parachutesópolis, 30 de abril de 2009

Se eu pudesse gritar para você, eu gritaria. Seria capaz de perder a voz para poder dizer as milhares de coisas que quereria de você. Mas não. Eu não preciso chegar até o chão para realizar os meus míseros desejos. Alguns deles, passam num estalar de dedo. Eu não deveria ir até a sua casa e esperar os seus pais saírem para poder dar em cima de você. Eu não deveria avançar tanto o sinal. Eu deveria ficar onde estou.

Repenso: eu deveria ousar.

A hora é exatamente propícia para tal ato. Derramaria um ótimo vinho no seu corpo. Lamberia-o com toda vontade. Ficaria bêbado de paixão por você. Um toque na pele, os dedos passando no seu corpo, o brilho dos seus olhos demonstrando felicidade e ao mesmo tempo tesão. Eu sei que há tesão quando você me olha. Eu sei que o meu cheiro é capaz de enlouquecer todos que passam na rua, ou todos que estão em um bar, boate, cinema. Eu sei que você sente o coração acelerar toda vez em que eu te olho daquele jeito. Você sabe o que fazer, para onde olhar. Só quer continuar olhando para mim também. Não tenha dúvidas, a recíproca é a mesma. Nós nos fazemos sentir-se tão bem.

Eu só deveria, e digo com todas as letras: EU SÓ DEVERIA ousar tocar você com mais ferocidade. Levar os nossos corpos a um êxtase indecifrável. Puxá-la para a cama e tirar toda a sua roupa lentamente, e lamber seus lábios, orelhas, queixo, pescoço, peitos, barriga, cintura, ... pernas! Eu só deveria te conquistar com todas as minhas rosas. Deveria escrever todas as minhas cartas exclusivamente para você.

Porém, preciso ser verdadeiro. Isso não vale nada. Você não me tem. Eu não te tenho. Prefiro não ter. Pelo menos neste momento, prefiro sonhar. Sonhar pode ser tão real quanto a própria realidade. A gente pode acabar com tudo em um instante, e fazer tudo valer a pena de novo sem discórdias. É o processo mais convincente à minha pessoa. Você entendeu?

Isso não vale nada. A carta não deveria ser direcionada a você. É tudo mentira, acredite. E de repente, não sinto mais esse desejo tão forte. Você não existe. Nunca existiu. Deverá existir? Não vou dizer que estou a esperar. A mentira viria a tona novamente.

E apenas escrevi para alguém. Alguém que não sei quem. E não querem me contar. Eu não quero contar para mim. Fazem questão de esconder as verdades. Minha mãe? Ah, minha mãe insiste em dizer que eu deveria ir para a Irlanda estudar inglês. O meu pai? Ah, o meu pai queria que eu a pedisse logo em casamento ou fizesse um filho com alguma puta pelo visto. Mas que sem noção! Ele não sabe o que quero. Minha mãe não sabe o que quero. Até errou o nome do país. Quero você nesse instante. Sinto que tudo irá mudar. Está bem, está bem. Não existe.

Só um momento. Vou ligar a vitrola. Estou pondo The Dark Side Of The Moon.

Eu só desejo, de corpo excitado e pensamentos ousados, que na próxima carta eu escreva pensando realmente em você.

Com carinho,

Nobre Epígono.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Mais uma carta. Não sei para quem.

Foto: Av. Câmara Cascudo, Natal (By Nobre Epígono)
Parachutesópolis, 27 de abril de 2009

Gostaria de desejar uma ótima noite, em primeiro lugar. Depois, gostaria de ficar nu ao começar a escrever esta carta. Uma carta tão singela para alguém tão “so far away”. Não, não. Melhor eu ficar vestido. Não seria bom para um Nobre feito eu, despir-se assim... Tão cara-de-pau. Tão audacioso. Estou sentindo um frio tão bom agora a noite. Aqui... Na janela do meu quarto. Vendo a chuva cair. Querendo você aqui. Eu perco a noção do tempo quando estou ao seu lado. Não sei quem eu sou quando você me olha daquele jeito. Estou ouvindo batidas e violões em meus fones de ouvido. Parece que estou sendo guiado por um anjo sem segundas intenções. Tudo acaba dando no mesmo. Tudo acaba virando de cabeça para baixo.


Eu consegui concluir a minha leitura tão “linda, respeitosa, leal, grandiosa” de
A Princesa Leal – Philippa Gregory. Consegui entender como uma princesa de Gales precisava fazer, tornar-se leal ao seu primeiro amor, para conseguir chegar ao trono de rainha da Inglaterra. O amor, a lealdade, a mentira precisa, transformou uma infanta da Espanha da época de Fernando e Isabel, numa rainha decidida, forte e guerreira a conduzir um país visto como “perdedor” diante das forças francesas e escocesas. Guiou o seu homem, irmão de Artur, Henry (Henrique VIII) a combater os seus inimigos. Henrique que não entendia nada de guerra, gabava-se com tantas mulheres ao seu redor. Expulsou, praticamente, sua esposa Catarina de Aragão da corte Tudor.


Quero te dizer que amei todo o livro. Queria tanto que você lesse também. Irias gostar. É bem parecido com nós dois. Claro, porque amamos a Inglaterra. Não como patriotas, lógico. Mas existe algo naquele país que nos encanta. E só nos resta irmos num ano próximo até lá. Conferir o que aqueles castelos escondem de nós dois.


Tenho tanta coisa para te falar, que seria preciso vários papéis e disposição para tal. Estou cansado. Estou tão pensativo ultimamente. Estou precisando mudar algumas coisas. Sim, tenho conhecido outras pessoas e isso tem me fortalecido e tem deixado meu astral lá em cima. Estou feliz. Sinto que estou feliz. Mas quero algo mais. Quero algo... Mágico. Não como conto de fadas. Claro que não! Só tenho certeza que eles existem. Só acho que não podem se tornar realidade. Olha, olha... Voltarei com tamanha certeza aqui nesse mundo. Voltarei a escrever mais uma carta.


Estou pegando um disco para pôr no meu som. E a música se chama: X-Static Process. Conhece? Tenho namorado com ela ultimamente. Desde que ouvi um trecho dela numa música do novo cd do Caetano Veloso.


Com carinho,


Nobre Epígono.

terça-feira, 31 de março de 2009

Carta para um amigo [ III ]. - Isso é uma ilusão, e eu não ligo.

Photo: Redródomo de um lugar encantado (By Nobre Epígono)
Praia da Caiana, 31 de março de 2009
Leo! Estou de volta.
Como estão as coisas por ai? As aulas de História? Sabe, sinto falta das aulas particulares sobre Idade Média que você me deu no último ano. Eu insistia em dizer que não entendia o feudalismo, a transição do período clássico para a Idade Média, a estrutura política e tantos outros assuntos e temas. Você, insistia em me ensinar. E os lanchinhos no fim da tarde preparados por ninguém mais que Dona “Looourdes”?!
Bem, esse meu tempo afastado desses quesitos tem-se tornado tão mais estranhos. Acho que a cada dia o sentimento “não adianta querer voltar”, faz-me refletir se seria bom mesmo voltar para todos vocês três. Mas eu o respondo: Sim, Leo! Seria muito bom. Nunca quis tanto voltar para a nossa cidade. Mas que tal continuar por aqui? Não que eu deixe o tempo me levar. Afinal, como um amigo nosso disse uma vez: “O tempo não para (segundo as novas normas gramaticais, o acento some)”. Mais que certo, né?
Vovô foi até a cidade grande na última sexta, e voltou ontem trazendo um livro para mim. Vários poemas do Machado de Assis que foram lançados no ano passado. De quem eu lembrei? A-ham! Dela. Ela que sempre quando me abraça, o mundo gira devagar. Vocês têm se encontrado no colégio? Se sim, mande lembranças. Ah, e que não vejo a hora de dar um abraço como o da última vez. Ela sabe porque. E você também.
Eu consegui controlar a minha saudade quando vi uma foto aqui. Foi um dia após termos ido a um barzinho. Era começo de uma manhã ensolarada, e logo você, Leo, fotografou o meu abraço de bom dia com ela. Lembro-me de quando entrei no carro e as lágrimas vieram em peso. Prendi-as. A tarde, escrevi para ela que tinha adorado aquele momento de glória. Disse também que a saudade apertou ainda mais trazendo um pouco de choro. Não que eu quisesse surpreendê-la com minha citação “do choro”. É como Machado escreveu: “Lágrimas não são argumentos”. Não as uso para tal. Sim, não as uso. Uso-as para libertar o nó latejante e sufocante que amedronta o meu pescoço. Você mesmo já chorou por um motivo sério e entende perfeitamente do que estou a falar.
E aqui, deitado na rede com uma resma de papel no colo, penso em escrever mais e mais. Porque é incansável o ato de escrever. Porque é incansável dizer que ama. Porque é mentira dizer que não ama mais. Ama-se de todas as formas. E quando o assunto é sexo, também faz-se sexo de todas as formas. Ou não se faz. Mas AMA-SE! RESPEITA-SE! Assis escreveu: “Cada qual sabe amar a seu modo; o modo pouco importa; o essencial é que saiba amar”. Eu sei amar. Eu sei que ela sabe amar. Eu sei que nós sabemos. Sim, nós quatro.
Um abraço, meu caro.
PS: estou pegando no sono... Volto a escrever-te!

sexta-feira, 27 de março de 2009

Carta para um amigo [ II ] - Nem tudo é verdade.

Photo: Praia da Caiana (By Nobre Epígono)

Praia da Caiana, 17 de março de 2009

Ao meu eterno e grande amigo Leonardo.

Já são 18h30, Leo. Estou em casa. Foi muito bom lá na beira da praia. Consegui pintar um desenho que fiz. Imaginei uma caravela na minha frente. Tinha muita gente, inclusive, um casal bem trajado. Ela segurava seu vestido verde e sorria como nunca. Parecia que estava, em fim, no paraíso. Ele sorria também e pusera as mãos na cintura. Botes esperavam-nos ao redor da caravela. O sol brilhava. As ondas cantavam. As ondas... Ah, as ondas!

Pus o desenho aqui em cima da mesa. O gato, José Rabento, olha-o como se entendesse de arte. Arte é para poucos. [não querendo me desfazer da inteligência dos felinos] José me faz lembrar de Juliana. Sabes de quem estou a falar, não é mesmo? José participa das minhas horas de “vôo”. Ele vem e deita como um largado em cima da minha barriga. Confesso que as risadas surgem sem parar. Juliana uma vez deitou-se em meus braços e fez o mesmo que Rabento, lembra? Eu te contei?

Acabei de comer um pão com queijo e tomei um copo com leite. O meu avô está ali sentado na sua cadeira de balanço à espera de Dona Maria, por certo. Ele esquece do mundo, assim como o neto também esquece do mundo quando lembra dos quatro. Ele me questionou sobre o desenho. E claro, eu fantasiei as palavras e disse: “É a minha corte, vovô. Chegou para me levar para outro paraíso... Conhecer outras pessoas. Viver outras aventuras”. Não podia ficar sem a resposta dele: “Oh, meu neto! Como és belo nas tuas coisas”.

Acho que o meu avô foi a única pessoa com quem me descontrai mais nesses últimos dias. Ele diz que me ama. Ele conta-me histórias. Ele empresta-me os discos dele. Desde o término “dos quatro”, vovô Sebastião tenta aliviar a minha dor. Tenta me fazer feliz novamente. E eu, chato como sou, pareço não querer abrir os olhos e esquecer do único passado que me deixou tão feliz nesses tempos. Nada como um gole de vinho. Nada como O TEMPO.

Há o mistério de saber se existe outra pessoa que possa estar fazendo vocês três felizes, Leo. Há um ciúme bobo dentro de mim, que faz relembrar mais e mais do rosto e gestos de vocês. Que faz eu olhar para um lençol e sentir os dias em que me cobriram. Olhar para um bicho de pelúcia e sorrir dos apelidos que criamos um para com o outro. É tão triste. É tão bom. É um paradoxo. Sinto-me só neste momento. Apenas ouço de longe o barulho das águas nas falésias.

A primeira resma de papel está acabando. Já escrevi, reescrevi, rasguei, escrevi de novo, colori.

São 23h45. Está tarde. Preciso dormir. Amanhã continuo.

Um abraço forte.
Do seu amigo que tanto o estima,

Nobre Epígono.

terça-feira, 17 de março de 2009

Carta para um amigo [ I ]

foto: Praia da Caiana/RN (by Nobre Epígono)

Praia da Caiana, 17 de março de 2009
Olá, meu amigo Leonardo.
Trouxe todos os meus lápis coloridos, junto com uma resma de papel reciclado, e várias canetas para descrever tamanho estado emocional em que me encontro. Porém, acho que até mesmo 500 folhas não serão suficientes para o tal ato poético e inimaginável. Seria necessário eu escrever uma trilogia ou, quem sabe, uma tetralogia. A confusão resumi-se em CONFUSÃO. Pode acreditar.
De nada adianta eu armar uma rede na varanda na casa do meu avô. Não adianta eu pôr a vitrola dele ao meu lado e ouvir aquele vinil do Bob Dylan, ou ligar o meu minisystem e pôr um cd do Kings Of Leon, ou Caetano Veloso. Os pensamentos, as lembranças maravilhosas tornam-se sufocantes. As lágrimas vêm no rosto. Descem a procura do recanto, da paz de espírito. Mas que paz é essa que antes sufoca minha alma?
Como se já não bastasse, eu tenho o retrato de nós quatro dentro da minha gaveta. Deixo-o lá porque não quero sentir tristeza ao olhar. Mesmo sabendo dos momentos bons que passamos, não quero lembrar da minha culpa. Prefiro ouvir músicas. O retrato marca ainda mais o rosto de nós quatro. As músicas apenas me tiram de órbita.
Eu estou na beira da praia. Agora peguei um graveto e desenhei algo estranho na areia. Acho que são crianças correndo atrás de uma bola. Passei os pés em cima delas. Pus os braços cruzados nos joelhos e baixei a cabeça. Leo, estou chorando. Juro como não queria que esta carta fosse triste. Juro como queria estar feliz. Levantei a cabeça. Ei! Vou gritar... Está vindo... Eu preciso gritar... Ahh... Prec... Ahh... Precis... Ahhhhhhhhhhhhh! Gritei, Leo. Ainda me sinto preso. Ainda estou a querer a companhia de dois anos. Você sabe bem, não é?
Faz um frio aqui. Ao mesmo tempo um calor. Paradoxo. A praia está tão diferente. Vejo que ela sorri para mim. Lembrei de um fim de semana que viemos os quatro. Enquanto aquelas duas ficavam na areia conversando sobre arte e espaço, nós dois pegamos nossas pranchas e “caímos na água”! Que dias, não?! Sim. Claro que eu lembro da cara delas nos olhando e com inveja das ondas que pegávamos.
Como está sua mãe? Sua avó?
Como eu estou? Ah, estou ainda pra baixo. Não sei o que fazer. Sinceramente, ocupo o meu tempo com livros também. Até mesmo eles, os livros, têm me deixado triste. Sim, sim. Leio uma história sobre a infanta da Espanha que tornar-se-ia rainha da Inglaterra. Ela se chama Catarina de Aragão, a princesa leal. O romance com o filho do rei está transformando esse seu amigo num bobo.
Espera. Vou pegar um papel...

domingo, 8 de março de 2009

... just passing the time.

foto: Zumbi beach (by Nobre Epígono)


"Falando absurdos
Virando a noite

Perdendo senso
Derretendo satélites
Falando tudo
Voando a noite
Ouvindo estrelas
Derretendo satélites" - Paula Toller

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Dias, Aline - majestosos gestos.

foto: Flores de Acácia (A.D) by Aline Dias

"No ships come; the aimless wave sway beneath the empty sky." V.W

Eu pensei em começar com algumas palavras da Lispector. A loucura de Virginia transformou minha visão literária em minúsculas gotas de choro de felicidade e tristeza. A escrita da mulher suicida, ou da mulher piegas, envolve-me desde que conheci uma amiga do sul.

O sul não é tão distante quando se têm meios que podem juntar e descrever sentimentos reais. Reais e reais. Os braços, os beijos e as conversas compartilhadas durante algumas noites, trouxeram-me mais vontade de querer conhecer algo. Este algo passa-se como um mistério. O algo aparenta ser um nada. Incrivelmente, vazio. E quando dou-me conta desse algo, percebo a infinidade de coisas que existem nele. Justamente porque desperta a minha curiosidade quanto ser sobrevivente dos atos.

Eis o meu discurso plácido à Aline Dias:

Assim como as ondas de Virginia balançam sob o céu vazio, tuas palavras roxas e, poeticamente, sinceras e loucas, viajam sob o céu estrelado de uma grama numa casa do campo. Luzes brilham num papel envelhecido esperando a gota da tinta cair e desenhar seus pensamentos úteis e inúteis. O último, habita em todos nós que escrevemos para nos libertar desse caos sentimental.

Dedico-te uma música. Dedico-te mil e umas palavras de felicitações. Dedico-te uma cama, um lençol, um travesseiro, um livro (ou quem sabe um homem. Ou quem sabe uma mulher), uma mesa com vários lápis coloridos para você escolher os melhores tons ou os piores e pintar teu céu. Dedico-te a agonia incessante de querer escrever mais e mais. Logo, dedico-te a paz de espírito.

E é preciso viajar nos jardins do Buckingham Palace ou do Jardin des Tuileries para poder trazer uma única flor, mesmo morta, para você. E num outro momento, dentro de uma escuridão fria e amarga, aparecerei com um lampião em uma das mãos para iluminar o seu caminho. Porei novas essências ao seu pano de retalhos com letras miúdas, que equalizam sempre em textos de uma grandiosidade inexplicável.

Têm mais: Virginia tinha inveja dos textos de Katherine Mansfield. Eu tenho inveja da tua simplicidade diante das coisas... Coisas... Mas que coisas? Todas.

Um abraço forte acompanhado de dois beijos nas bochechas!

Obrigado, minha querida.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Parece que continua assim...


É. Parece que nada mudou. Apenas o tempo continua claro lá na praia. Apenas os pensamentos ora voltam-se para você, ora voltam-se para mim.

Buscarei ainda a minha felicidade instantânea... Nem se preocupe.

Passará para lá... para lá... bem para lá...

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Azevedo [autores confundem as histórias]

foto: a hora da escrita por Nobre Epígono

Matou-se porque não agüentava mais toda aquela cobrança. Matou-se porque foi fraca naquele momento. Virginia não fotografava mais como antes. Seu namorado criava histórias de homens com sua mulher. Os homens, que pousavam poucas vezes para ela, babavam-na.

Virginia pulou do apartamento de uma amiga. Depois de porres na madrugada, o ato chocou todo o mundo. Não, Marie não teve culpa na morte de sua amiga. Pelo menos não nesse fato. Pode ter contribuído para a crise de ciúmes de Hugo. Elas sim, mantinham um romance há oito meses com uma loucura, tesão, amor e confidências como namoradas.

Em agosto de 2006, Virginia e Marie viajaram para Paris. As duas amavam toda a Europa. Mas sonhavam juntas em ir para lá. Hugo, professor de lingüista em uma universidade de Londres, desconfiava da viagem, porém não moveu dedos a fim de buscar provas das “mentiras” da fotógrafa.Virginia tinha tantos outros sonhos... Virginia tinha tantas outras fotos para expor... Ela ainda guardava em seu coração e alma tantas declarações para Marie...

Sim. Artur Rodrigues Azevedo, autor brasileiro, preferiu matá-la em sua última obra literária. Sim, Azevedo estava morrendo no hospital. Ele queria apenas uma companhia para sua viagem extra – ordinária!

“Escrever é que é o verdadeiro prazer; ser lido é um prazer superficial.” Virginia Woolf
* * *
E uma menina que veio de um planeta bonito, visitou o meu universo literário e deixou uma mensagem linda. Confesso que na tarde de hoje estava com os pensamentos noutros lugares. Pensei até em acabar com toda essa história de blog. Pensei em queimar meus textos que, às vezes, acho-os em vão. Porém, a mensagem da Larissa "reanimou" o Nobre de certa forma. Ela ainda presenteou-me com este selo:


De acordo com as regras que seguem devo indicar 15Blogs ao Prêmio>>

"Com o Prêmio Dardos se reconhece o trabalho do blogueiro, que mostra através do seu empenho, capacidade para transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, que demonstram sua criatividade, através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras.".Regras para o recebimento:

- aceitar e exibir a imagem do Prêmio;
- linkar o blog do qual recebeu a indicação;
-escolher 15 blogs para o Prêmio.

Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.

Palavras as quais eu me rendi e mergulhei:

http://intersemiotica.blogspot.com/[ não deixem de visitar o inter! ]
http://sorrisosegritos.blogspot.com/
http://criticalwatcher.blogspot.com/
http://notasnoturnas.blogspot.com/
http://do-gmas.blogspot.com/

Sim, sim. Para a Larissa também vale. E são apenas para vocês.

Boa noite!





sábado, 31 de janeiro de 2009

19h39 [ hora de ler livro para uma criança ]


Foto: ap improvisado by Nobre Epígono

- Vem, vem... Deita aqui comigo. Não, não... Deixa a luz acesa. Quero poder olhar nos teus olhos. Tudo bem, pára de fazer essa carinha boba. Traz seu livro que eu leio para você. Meu deus. Como é bobo! Filhote, filhote... amo-te tanto, meu bem.

[respira fundo]

- ... te amo tanto, meu bem. Por mim, eu passaria todas as noites seguintes e manhãs e tardes com você nessa rede. Ou, de repente, cairíamos nesse colchão e passaríamos uma eternidade. Retiro a eternidade da nossa frente. Prefiro mesmo o agora. Vem.. Ponhe a cabeça no meu peito. Consegue ouvir a batida acelerada do meu coração? É você que tá deixando-o assim... Como sinto-me feliz!

[respira fundo]

- Vem, vem logo... beija-me forte!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

retificando a postagem abaixo...

Sim, sim, sim. Mesmo às 23h00, mas você deu sinal de vida.
Dar-te-ei novos discos sem arranhões. Prometo!

Boa noite.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

20h36 [nada de você]


foto: Nobre Epígono em SP by Nobre Epígono

"Eu vou escrever no seu muro
E violentar o seu gosto

Eu quero roubar no seu jogo
Eu já arranhei os seus discos...

Que é pra ver se você volta,

Que é pra ver se você vem,

Que é pra ver se você olha,

Pra mim..." -
Mentiras (Adriana Calcanhotto)

E se ao menos eu pudesse tocar em você. E se ao menos você não me deixasse esperar, eu não teria arranhado os seus discos. Aqueles que também são meus. Nossas músicas estavam neles. Se ao menos você me olhasse de verdade e sentisse o mesmo gosto enlouquecedor que o meu de poder avançar em você.

Porque eu gostaria de beijar. Porque eu gostaria de tocar seus lábios, sua pele, seus olhos, suas palavras...

domingo, 25 de janeiro de 2009

Vida Oculta

foto: Nobre Epígono by Nobre Epígono

Ele chama-se Luciano. Há tempos que não se sente muito bem em sua relação de 4 anos. O trabalho, estudo e uma nova pessoa em sua vida parecem ser as únicas coisas que têm levantado-o um pouco. Os dias estão passando e ele continua preso em suas declarações infantis para essa terceira pessoa. Digo infantis, porque ele trata-a de forma tão delicada e boba que ela acha-o a criança mais inocente do mundo.

O carro está em bons tratos. O celular é um dos últimos dessa tecnologia avançadíssima. O trabalho deixa-o a cada dia realizado. Foi a profissão correta que resolveu investir e dar tudo de si. Tem uma linda casa, um belo quarto, ótimo notebook, roupas charmosas [ou melhor, as roupas deixam-o charmoso], tem dinheiro para viajar para a Inglaterra, França, Estados Unidos, Islândia e quem sabe... Fernando de Noronha. Mas o relacionamento não vai nada bem. Que pena.

ELA se acha uma pessoa interessante. Acredita que pode continuar sendo feliz nos braços dele. Queria poder falar mais coisas para ele. Não esconder tantas outras... Viver um amor de cumplicidade. Mas a história não é bem assim. Luciano, o promotor mais bem pago daquela repartição pública, não acredita em mais um pingo das conversinhas fajutas dela. E pretende tomar uma decisão, não sabe quando.

A terceira pessoa vive em um caos de sentimentos. Queria muito poder estar cada segundo ao lado dele, sentir o cheiro, sentir o toque, o respirar acelerado, lento, sentir o beijo doce e mordidas selvagens e delicadas. Apenas passam-se os dias e ela está se cansando desse jogo de amor. Sente que a paixão chegou, como uma ilusão ou não, e deixa-a caidinha no chão por esse homem tão inteligente, doce e duvidoso, mesmo sendo um promotor.

Ele precisa de mais um tempo para pensar. Ele precisa de mais carinho mesmo que seja virtual ou por telefone. Ele precisa de alguém em que sinta-se bem mesmo. Mas está longe de conseguir isso. O caminho é longo... Às vezes parece passar tão devagar.

- Can we get together?
- I really wanna be with you.

Que domingo bonito. Porém, com revelações bombásticas. É a vida...

Bom início de semana.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Lost Dog


Foto: Via Costeira / Natal-RN (by Nobre Epígono)

Olá.

E eu achei que estivesse perdido feito um cão farejador. A brisa do mar não me contentava mais naqueles dias em que a solidão era minha única amiga. Melhor, os livros eram meus únicos amigos.

Amigos. Ah, doce ilusão. Quem realmente está com você quando mais precisa? Salvam-se alguns, claro. Não posso também chegar ao ponto de negar que tenho "amigos".

Alimentação. Acho que nesta semana meu filho morre dentro da minha barriga. Sim. Há três semanas que sonho com um milk-shake do Girafas, Bob's ou Mc Donalds. Nunca dá certo. Grana, tempo, logo depois, tive tempo. Mas quando fui passar no cartão R$ 5,90, deu "erro no sistema" (ou eu não peguei a conta?).

Praia, sol, mar... Pessoa dez de espírito ao meu lado. Caminhar e esquecer quem eu fiz sofrer. Caminhar e esquecer quem me fez e faz sofrer. Caminhar e saber que você pode mudar algo. Sonhar. Sonhar alto. Sempre querer o melhor... Sempre querer mais. Satisfazer-se com mais. Eu busco mais um pouco de alegria. Busco em alguém que, REALMENTE, saiba como fazer isso. Busco em alguém ou algo que, REALMENTE, quero.

Música. Eletrônica. Luzes. Pessoas. Toques. Dança. Tênis. Sapatos. Vozes. Corpos. Rostos. Química!

"Touch my skin, and tell me what you're thinking.
Take my hand, and show me where we're going.
Lie down next to me,
look into my eyes,
and tell me -- oh tell me what you're seeing." - Take My Hand (Dido)

Bom dia de começo de semana.
;)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

. comida ê, comida á .




Entrada suculenta.
Banana gostosinha.
Sabor exótico raw.

Comida!

Pensamento:

"Os maus vivem para comer e beber. Enquanto isso, os bons comem e bebem para viver." [Sócrates]

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Sorria. Isso basta!




Oi?

Estou com a edição de dezembro da revista Rolling Stone do Brasil. Na capa principal tem a Madonna (e aja Madonna ultimamente ¬¬). Por trás da capa principal, veio uma com um bebêzinho muito “cutxi-cutxi”!

Desde que comprei, não paro de olhar pra essa criaturinha e dizer: “Mô deus do céu! Tem coisinha mais linda que você, pimpolho?!”. A gente se sente feliz com o sorriso “polêmico” de uma criança inocente dessa, e esquece muitos problemas.

Para me satisfazer mais ainda, encontrei um vídeo bem curtinho que vale a pena conferir no You Tube de um filhote rindo como safado! Olha que coisa mais gostosa: bebêzénho.

Pensamento:

"Só as crianças e os bem velhinhos conhecem a volúpia de viver dia a dia, hora a hora, e suas esperanças são breves." [Mário Quintana]

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

coisas. Coisas simples. coisas



Um filme de vez em quando até que é bom. O último que assisti, há uns dias, foi “Na Natureza Selvagem” (Into The Wild). Não pude assistir no cinema, comprei um DVD pirata (desculpem-me! Mas foi o jeito), porém não estava com ânimo para vê-lo.

Passaram-se dias e dias, até que semana passada resolvi sentar no sofá e deliciar-me com Emile Hirsch fazendo o papel real de Christopher McCandless e ouvir a doce-dura-e-respeitosa voz de Eddie Vedder (mais que fantástico!)!

Into The Wild comove em todas as cenas. Mostra a trajetória de um “riquinho” estudante que está se formando. Para não mais viver com toda a mordomia que possuía e adquirir a própria liberdade, McCandless resolve aventurar-se nos Estados Unidos dos anos 90. Encontra na natureza, respostas da sobrevivência dos seres, amadurecimento, medo, coragem, amigos (diga-se de passagem) com quem aprende várias coisas e cria um laço afetivo. Chris lança-se para um objetivo maior: chegar ao Alasca Selvagem!

Não posso deixar de dizer que chorei muito em algumas partes quando entra a voz do Vedder, e principalmente no desfecho do filme. Vale MUITO a pena conferir!

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Mudando de lugar, estou conhecendo mais um pouco do mundo GLBT. Sim. Em uma
sociedade praticamente homofóbica, como a nossa, as poucas pessoas inteligentes que se prezam, deveriam conhecer “o outro lado da vida”. Em “Como o mundo virou gay? Crônicas sobre a nova ordem sexual”, o jornalista, DJ, autor, tradutor, empresário e agitador cultural, criador do Mix Brasil, André Fischer mostra o lado colorido da sociedade, principalmente, moderna.

Os preconceitos, casamentos, sacanagens, estilos, paradas gay, noite agitada em São Paulo, gays na TV, glossário, homofobia, os ditos heteros que não saem do armário, depoimentos e crônicas escritas pelo Fischer desde os primórdios da sua carreira, recheiam este livro fantástico. Ótima compreensão na leitura, um pouco de humor nas entrelinhas, e dicas para não se trancar no seu armário, fazem do livro uma ferramenta essencial ao crescimento humano.

Um país sem tabus, sem preconceitos, é um país evoluído. Sinal de que há pessoas!

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Eu sei que ela canta mal. Eu sei que ela é uma louca. Eu sei que é fresca. Eu sei que fica dando uma de santinha. Eu sei que se não fosse Madonna, ela não estaria de volta. É sério!

Mas gostaria de dar uma abertura também ao novo cd da Britney Spears. A “ex-princesinha do POP” – sim, porque agora é conhecida como “It’s Britney bitch!” – votou à cena com seu mais novo álbum estreado no dia do NOSSO aniversário, 02 de dezembro, Circus. Mais amadurecida – será que depois de tantos remédios, flashs, clínicas e juízes ela não iria melhorar? -, Spears estreou semanas atrás o hit “Womanizer”, agora “Circus”, mostrando não ser mais a menina de “Baby Onde More Time”. Estou ouvindo muito seu novo cd. Músicas interessantes: Womanizer, Circus, Out From Under, Kill The Lights, Shattered Glass. Até que enjoa, mas dá pra encarar. Outro que estou viciado também, é o American Life (Madonna), os 25 anos do Thriller (Michael Jackson), Immaculate Collection (Madonna), Hard Candy (Madonna)... Melhor eu parar. O que um pré-show não faz com um fã?

Pensamento:

"A melhor coisa em ser solteira é que sempre tem uma pessoa pra ser conquistada. Eu não gostaria que ninguém fosse o Sr. Madonna." [Madonna]

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

16:06 [ segunda-feira ]


- Está na estante, querido.

- Não. Aqui não está. Eu tenho certeza que você deixou lá no escritório...

- Ah...

- Bem, trouxe esse brinco pra você pôr hoje a noite.

- Hmmm. Lindos! Vamos sair?

- Estava pensando em irmos a um barzinho lá na praia grande. O que acha?
- Sabe, amor, é que não estou muito bem.

- O que aconteceu?

- Hoje de manhã recebi um email não muito bom.

- De quem?

- Do Victor.

- Meu deus. O que ele queria dessa vez, Mel?

- Quer conversar comigo... Disse que está com uns probleminhas familiares, e como eu sempre estive do lado dele, ajudando, dando conselhos, pediu pra sairmos. Eu disse que não dava. Ele começou a dizer que era por causa do “seu novo namorado”. Que eu só tenho tempo agora pra esse “seu novo namorado”. Brigamos, brigamos e ele desligou na minha cara.

- E só por isso vai ficar assim e não vamos sair?

- Queria ficar sozinha com você aqui mesmo. Comprei vinho!

- Ahhhh, se eu soubesse! Posso ir ali ao mercado comprar algum macarrão. Que tal?
- Fantástico! Aproveite e compre também chocolates.

- Então tá. Vou lá... [beija-a na boca]

...

- Sabe, eu adoro sentar aqui nessa mesa e ficar olhando você desse jeito. Como pega no talher, como pega na taça, como os seus olhos brilham...

- Ow, Marcelo... Eu também acho tudo isso. Você é um cavalheiro! O meu homem de todos os dias e para todos os dias.

- Quero-te sempre, sempre, sempre comigo, meu amor.

- Eu também, seu besta! [risada]

-Deixa eu dizer que te amo?

-Deixo você dizer e fazer. Quer amor? Continue aqui.